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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Relação língua e sociedade em foco: observando vocativos brasileiros, angolanos e moçambicanos
Autor(es): Sabrina Rodrigues Garcia Balsalobre. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave vocativo, vocativo, polidez
Resumo

A proposta fundamental desse estudo é a de avaliar comparativamente o sistema de formas de tratamento da variedade angolana, moçambicana e brasileira da língua portuguesa, com especial ênfase à observação dos vocativos, uma vez que esse fenômeno linguístico permite a eficaz observação das estratégias empreendidas pelo falante para se dirigir ao seu interlocutor. Nesse sentido, os vocativos representam um exemplo privilegiado para se analisar a relação entre uma escolha linguística e seu motivador social. Assim, as formas de tratamento escolhidas por usuários de determinado país em detrimento de outras auxiliam na análise de inter-relações entre língua e sociedade, revelando fundamentos da organização social. Os dados em foco foram obtidos por meio da realização de entrevistas com 30 famílias, subdivididas entre São Paulo (Brasil), Luanda (Angola) e Maputo (Moçambique). Essas entrevistas foram levadas a cabo a partir de um aparato metodológico que consiste em apresentar fotografias de pessoas (consideradas importantes representantes sócio-culturais dessas sociedades) a entrevistados e propor uma situação de fala em que apareçam as formas linguísticas desejadas. É válido destacar que há uma gama de vocativos disponível aos falantes de língua portuguesa dos três países em questão, contando, por um lado, com um coeficiente comum de base portuguesa e, por outro, com uma série de outras formas que mais especificamente identificam os hábitos culturais de cada um desses três povos. No entanto, ao se considerar apenas essa matriz comum ainda assim é possível distinguir re-interpretações culturais baseadas na visão de mundo peculiar aos falantes de cada país. A proposição desse estudo leva em conta uma perspectiva de cunho sócio-pragmático, ao propor interpretações aos usos escolhidos pelos falantes, sobretudo em função do contexto em que esses usos foram identificados. Nesse sentido, o estudo da polidez esboçado primordialmente por Penelope Brown e Stephen Levinson, em 1987, ganha destaque ao relacionar as escolhas linguísticas dos falantes à norma social vigente e às estratégias conversacionais adotadas.