logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Uma reflexão sobre o funcionamento da relação memória/ história na questão da legitimação/ institucionalização do arquivo
Autor(es): Zélia Maria Viana Paim. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave arquivo, arquivo, história
Resumo

Neste estudo, procuramos problematizar a relação arquivo/memória/história, buscando pelo funcionamento da instituição que legitima os efeitos de sentido de completude/incompletude que caracterizam a revista acadêmica. Para entendermos tal funcionamento filiamo-nos a HIL (História das Ideias Linguísticas) e a AD (Análise de Discurso). Partimos do princípio de que a circulação do conhecimento científico se apoia sobre instrumentos, tais como as revistas acadêmicas, e essas em estruturas sociais de produção/acumulação/distribuição de conhecimento, a instituição acadêmico/científica. Essas comunidades são “normativas” e “têm uma função social geral de validação e legitimação” (AUROUX, 2008) do conhecimento científico, ao mesmo tempo em que eles as legitimam como lugar de constituição da cientificidade. Nesse processo, a constituição do arquivo está relacionada aos gestos de leitura, que apontam para a possibilidade de diferentes ‘maneiras de ler’ os documentos pertencentes a certo arquivo. Isso coloca em jogo o “trabalho do arquivo enquanto relação do arquivo com ele mesmo, em uma série de conjunturas, trabalho da memória história” (PÊCHEUX, 1994 [1982]). Por meio do ‘trabalho’ do arquivo, poderemos, lançar gestos de interpretação em torno da discursividade que constitui o arquivo. Cada gesto de interpretação é sempre único, tornando-o inesgotável, na medida em que todo gesto configura um novo tratamento do arquivo, produzindo diferentes efeitos de sentido. Assim, considerar a sua determinação histórica e ideológica é uma das tarefas de que nos ocupamos. Para tanto, a leitura do arquivo consiste em uma leitura fundamentada pelo olhar do analista, que permite projetar gestos de interpretação sobre a discursividade do arquivo, visto que este apresenta efeitos de sentido, os quais podem ser compreendidos devido à articulação entre língua, memória e história. Consideramos neste estudo que a constituição de arquivo atende a demandas ligadas aos domínios do institucional e do histórico, do que resulta a necessidade de colocar em um mesmo lugar materialidades pelas quais retornam nomes, acontecimentos e tempos e por eles/neles a história, como historicidade e a memória pela qual retornam discursos que sustentam/ancoram a necessidade de ser/fazer memória.