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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Paixões, formas de vida e acontecimento em O zelador, de Menalton Braff
Autor(es): FLAVIA KARLA RIBEIRO SANTOS, VERA LUCIA RODELLA ABRIATA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Paixões, Paixões, acontecimento
Resumo

Este trabalho analisa, por meio do referencial teórico da semiótica francesa, o conto O zelador, de Menalton Braff, com o objetivo de descrever a paixão da cólera de que é acometido o ator protagonista do texto, um zelador, responsável por cuidar de vilas e que anseia pela ascensão social. No conto, que integra a obra A coleira no pescoço, finalista do prêmio Jabuti-2007, o zelador esquece as portas da casa e da geladeira abertas e crê que o cão Ego, seu companheiro e amigo, foi o responsável pelo roubo de sua provisão de carne. Sabendo que um novo pedido de carne o manteria disjunto da almejada promoção, o trabalhador executa Ego como forma de manter a rigidez dos regulamentos que conhecera desde a infância. Aplicamos ao texto elementos da semiótica da ação, da semiótica das paixões e da semiótica tensiva, como as noções de rotina e acontecimento, conforme Claude Zilberberg. Desse modo, descrevemos o percurso passional da cólera pela qual é tomado o ator zelador, com base nas reflexões sobre tal paixão, sistematizadas por A. J. Greimas e Jacques Fontanille. Nossa hipótese é que, no texto, a paixão da cólera se desdobra na paixão da vingança e se associa à irrupção de um acontecimento responsável pela transformação da forma de vida da submissão do zelador. Dessa perspectiva, observamos que a forma de vida da submissão e o desejo de ascensão social são responsáveis por desumanizar o ator-protagonista que é tomado pelas paixões da cólera e da vingança. Tais paixões levam-no a romper com a rotina, no auge do recrudescimento de sua carga tímica e, consequentemente, a se inserir em uma nova forma de vida. Analisamos, pois, o modo como a forma de vida da submissão se manifesta na narrativa e como se relaciona a paixões de malevolência. Por outro lado, tendo em vista que o cão executado pelo zelador se denomina Ego, propomo-nos observar o modo como o enunciador braffiano dialoga com a psicanálise freudiana, referindo-nos aos conceitos de id, ego e superego – instâncias psíquicas que compõem o inconsciente – com o objetivo de observar como elas se associam à forma de vida da submissão do zelador que, por sua vez, se transforma em uma nova forma de vida. (Apoio: CAPES-Prosup).