logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Causativas ECM e backward control: uma proposta para o PB
Autor(es): MANOEL BOMFIM PEREIRA, Heloisa Maria Moreira Lima Salles. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave CONTROLE REVERSO, DATIVO, ECM
Resumo

Baseando-se no quadro teórico da gramática gerativa (CHOMSKY, 1995 e seguintes), o presente trabalho representa uma proposta que discute a correlação entre a sintaxe do OI dativo e a perda das estruturas causativas perifrásticas ‘românicas’ no português brasileiro. Borges (2008) propõe que as construções causativas do PB estão associadas (i) à perda da sintaxe do dativo realizado pela preposição ‘a’ e pelo pronome ‘lhe’ (3ª pessoa) e (ii) à reanálise do complexo verbal, que dá lugar a uma estrutura bi-oracional. Cyrino (2010) argumenta que (i) o PB não possui a causativa ‘românica’, porque a língua possui um sistema de Concordância e Tempo (C-T), completo, que impede a reestruturação dos predicados envolvidos, o que resulta na perda da subida do clítico. Assim, no PB é possível encontrar apenas as causativas ‘make-causative’, em que o causee é realizado como nominativo (A menina fez [o pai/ele/eu comprar o doce]), em uma configuração de backward control, em que o causee é realizado no predicado encaixado, sendo controlado por uma categoria nula na posição de objeto do predicado da matriz. Pereira e Salles (2012) postulam que o PB possui construções causativas do tipo (i) ECM, em que o causee recebe Caso acusativo do verbo da matriz (e o predicado encaixado é um TP), o que se confirma em construções com o pronome oblíquo de 1ª pessoa (João me fez comer o doce), e do tipo (ii) ‘backward control’ (conforme CYRINO, 2010). Tal distinção é determinada pela cisão no sistema pronominal do PB (cf. Rabelo 2010). Seguindo Pereira e Salles (2012), comprovamos que o PB manifesta a reestruturação dos predicados com verbos causativos (e perceptivos), embora haja restrições independentes para a subida do clítico em outras configurações perifrásticas (como no caso de *João me quer ver/ João quer me ver). Nossa hipótese é a de que, na configuração causativa (mono-oracional), o núcleo funcional ‘v’ está ativo tanto no auxiliar causativo, quanto no verbo encaixado (João [v me [mandou...[v te [ver]]), o que permite o licenciamento de categorias referencialmente independentes, enquanto, nas demais perífrases, somente o ‘v’ encaixado está ativo. Em línguas com a subida do clítico, ocorre a formação de uma cadeia anafórica com o ‘v’ mais alto. Concluímos que a nova configuração sintática do OI dativo trouxe implicações para o mapeamento das estruturas causativas do PB, no sentido de estabelecer um padrão específico de licenciamento do causado na 3ª pessoa.