logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O espaço conflitual e a constituição do espaço fiduciário nos milagres bíblicos
Autor(es): Dario de Araujo Cardoso. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 01/03/2024
Palavra-chave Veridicção, Veridicção, Milagres
Resumo

Greimas define o contrato de veridicção como um crer-verdadeiro instalado num discurso por um entendimento tácito entre enunciado e enunciatário no exercício de seus mecanismos epistêmicos. O fazer persuasivo, fazer-crer, deve ser acompanhado pelo fazer interpretativo, querer-crer, de modo que a verdade instalada no discurso deve se deslocar do enunciador para o enunciatário. Tal deslocamento se dá por meio de um compartilhamento de crenças determinado por condições de confiança instaladas no interior do discurso. A presente comunicação, tomando por base os conceitos de espaço conflitual de Bertrand e de espaço fiduciário de Zilberberg e usando como corpus narrativas bíblicas de milagres, busca aprofundar a descrição desse processo. A relação enunciador/enunciatário, no aspecto da veridicção, é descrita como inicialmente divergente uma vez que estes actantes possuem conjunção diferente com o objeto-valor proposto. O crer inicial, crença-mãe, do leitor/enunciatário estabelece para o autor/enunciador as coerções do gênero para que seu discurso seja aceito como verdadeiro e, ao mesmo tempo, estabelece a condição básica de acesso à manifestação textual que conduzirá ao fazer interpretativo que deve julgar sobre a veridicção. Esse conflito entre o valor do valor para o enunciador e a crença-mãe do enunciatário que deve ser denominado espaço conflitual. Por meio do discurso, o enunciador deve promover no enunciatário a constituição do valor do valor, instaurando assim o espaço fiduciário e um sujeito fiduciário. Para Zilberberg, esse percurso fiduciário deve percorrer todos os níveis do percurso gerativo organizando as marcas de veridicção tanto para o autor como para o leitor. Bertrand descreve esse processo em três momentos: a desiconização, a aplicação da crença-mãe e o desenvolvimento da intervenção sensível que garante o controle da partilha figurativa. Nos milagres bíblicos a crença-mãe se define por aquilo que se crê ser impossível à luz da racionalidade empírica. É por meio desse desafio que se estabelece o fazer persuasivo e o potencial semiótico do texto.