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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Um estudo comparado de Os Lusíadas e Uma viagem à Índia e seus heróis
Autor(es): Caroline Monte Verde Bernardes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Herói, Herói, Literatura Portuguesa
Resumo

Este trabalho não tem como objetivo exaltar as métricas camonianas. Trata-se de uma comparação de duas epopeias: Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Uma viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares, trazendo para a modernidade o herói camoniano, colocando-o em contato com os diferentes pedaços do sujeito contemporâneo, que diante do espelho da existência vê sua alma fragmentada, dividida entre vida e morte, amor e ódio, criação e negação da criação, o bem e o mal. O sujeito contemporâneo é inconstante e sozinho diante do mundo precisa convencer-se, segundo Jung, de que a sombra existe e que dela pode retirar sua força. Nesse sentido, os heróis do tipo divino ficam nas histórias de um passado glorioso. O herói é trazido mais próximo do homem, tendo medos, sentindo dores, continuando a ser forte e fraco, corajoso e covarde ao mesmo tempo, porém não se deixando abater mesmo quando tudo parece perdido. Isso nos leva à indagação: seria o herói sempre contemporâneo? O mito do herói se desenvolve na luta contínua da luz e das trevas do homem, do ego e da sombra (o lado escuro e o negativo de sua personalidade). Em Os Lusíadas (em edição de 1980), o herói é aquele que se eleva acima do humano, aproximando-se do divino, por meio de sua coragem, sua força e sua sabedoria. Já em Uma viagem à Índia (2010), de Gonçalo M. Tavares, Bloom é o herói anti-herói, para uma epopeia anti-épica. Se a epopeia intenta contar os feitos heroicos de uma nação, essa nova versão nos traz, em proporções igualmente ampliadas, a mesquinhez da mesma nação portuguesa da qual falava o épico camoniano. Tentaremos responder a nossa pergunta comparando Vasco da Gama e Bloom, respectivamente, os heróis de Camões e de Tavares, considerando o conceito de contemporâneo como discutido por Giorgio Agamben (2006).