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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Os simulacros de Eva Perón: a história e a memória imaginadas
Autor(es): Aline Venturini. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave Borges, Borges, ideologia
Resumo

Os acontecimentos políticos e históricos são imaginados e reinventados conforme a influência de uma dada ideologia. Nem sempre os textos historiográficos abarcam essa multiplicidade de sentidos, dados pelas ideologias. Por isso, a literatura e o cinema podem ser considerados materialidades que conseguem, junto com a historiografia, a elucidar a reinvenção de figuras políticas e da forma como elas passam para a memória coletiva de um povo. É pensando nesta questão que este trabalho centra-se na análise de dois textos de materialidades diferentes sobre o mito Eva Perón, primeira dama da Argentina na década de 40. O primeiro é um texto literário: “O simulacro” ( El Hacedor,  edição 2009) de Jorge Luís Borges e, o segundo é uma cena de um filme “Não chores por mim, Argentina”. Ambos os textos tratam da manipulação ideológica pela imagem de Evita, pelo governo Perón. Trata-se de dois simulacros: o primeiro, do qual fala Borges, é do velório de Eva Perón, vista como a dama dos descamisados, no qual mostra a primeira dama como uma boneca, quase um símbolo religioso, venerado por seu povo; o segundo é a cena do filme “Não chores por mim Argentina”, na qual Evita, estando muito doente, não pode sequer ficar em pé, mas deve fingir ao povo que está bem, sendo apoiada para não ficar sentada. Isso mostra que uma figura de Evita foi manipulada para servir a ideologia do Governo Perón, para configurar-se como um símbolo identitário. Isso leva a pensar, segundo as palavras de Benedict Andersen (2008), em uma identidade imaginada. Sendo Perón um governo basicamente nacionalista, a imagem construída de Evita tente a reforçar esse imaginário. Assim, pensamos no conceito de Raymond Williams (2007), sobre nacionalismo, que pressupõe uma espécie de invenção da identidade, calcada em uma ideologia dominante. Tanto para Borges, quanto para a representação cinematográfica de Evita, sua mitificação e representatividade não passam de simulações construídas para manter o sentimento nacionalista.De acordo com Burgos N ( 2007) Eva Perón chegou a ser uma metáfora da Argentina. Isso significa que as duas materialidades sustentam o discurso de que a imagem de Evita é uma simulação, uma memória foi trabalhada ideologicamente.