logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Língua e identidade: noções constitutivas
Autor(es): Gabriela Oliveira da Silva. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave identidade, identidade, língua estrangeira
Resumo

O presente trabalho tenciona refletir acerca da noção de identidade tanto do sujeito quanto da língua. A partir de textos que demonstram o imbricamento entre língua e identidade e a relação subjetiva do falante com a(s) língua(s) que o habita(m) questiona-se a tradicional definição de língua materna e língua estrangeira tendo como base as pesquisas de Coracini (2007) e Bolognini (2003), além dos trabalhos de Revuz (1998) e Melman (1992). Para Revuz (1998), a língua é constitutiva do sujeito, ela é “o material fundador de nosso psiquismo e de nossa vida relacional” (p. 217), e as outras línguas que aprendemos entram em relação com essa matéria fundadora e a perturbam. Assim, nenhuma língua, para nenhum sujeito falante, é vivenciada somente como um mero instrumento de comunicação, mas sim como um objeto complexo em vários sentidos. As relações do sujeito com as línguas são profundas e estruturantes. Considerando que a identidade é a forma como o sujeito se relaciona com o mundo, com o outro e consigo, a língua(gem) é fundamental na construção identitária do sujeito, porque ela não apenas expressa as experiências vividas, mas antes as constitui, pois é através dela que o sujeito constrói uma representação da própria vida, dando-lhe significado. No mesmo sentido, mas partindo de uma perspectiva sociointeracional, o trabalho de Bolognini (2003) nos mostra que falar uma língua estrangeira é silenciar a sua história e se submeter à história, à cultura e à ideologia do outro. Ideologia e linguagem fazem parte do discurso, o que faz com que aspectos socioculturais, históricos e ideológicos sejam inevitavelmente constitutivos da linguagem. Porém, ao considerarmos a subjetividade de cada um como algo único, diferenciado da ideologia geral de uma sociedade, podemos perceber diferentes relações de certezas e incertezas com as línguas, como demonstra Coracini, no trabalho “O espaço híbrido da subjetividade: o (bem) estar/ser entre línguas” (2007). Coracini elabora em seu texto uma reflexão minuciosa acerca das línguas e, dessa forma, das identidades e subjetividades de sujeitos que vivem entre-línguas. A autora mostra que são várias as formas de se relacionar com a língua, seja materna ou estrangeira, o que torna fluido os limites entre tais classificações. Portanto, é preciso questionar as definições tradicionais do que é “materno” e do que é “estrangeiro”. A visão tradicional de língua materna carrega uma ilusão de continuidade e completude da língua que traz consequências para a percepção de mundo do sujeito.