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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A participação do item linguístico assim na modalização epistêmica quase-asseverativa
Autor(es): Fernando Sachetti Bonfim. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave gramaticalização, gramaticalização, modalização epistêmica quase-asseverativa
Resumo

Este trabalho tem como objetivo investigar a funcionalidade do item linguístico assim na promoção de modalização epistêmica quase-asseverativa (ou dubitativa) (CASTILHO, 1994; CASTILHO, 2010). Os estudos de gramaticalização (GR) do assim (TRAUGOTT & HEINE, 1991; MARTELOTTA, VOTRE & CEZARIO, 1996; JOSEPH & JANDA, 2006; GONÇALVES, LIMA-HERNANDES, CASSEB-GALVÃO & CARVALHO, 2007) fornecerão aporte teórico à pesquisa. A trajetória de GR do item prevê, dentre outras funcionalidades, que ele atue como (i) pronome anafórico textual, retomando, de forma abreviada, informações textuais já citadas previamente, e como (ii) marcador discursivo (MD) sintagmático, situando-se na fronteira sintática entre verbo/nome e respectivo complemento. Quanto às segundas ocorrências, que Silva & Macedo (1990) chamam de anunciador de complementos, Castilho (2010) já afirma que o assim atua, de fato, como marca textual de modalização dubitativa, estratégia por meio da qual o locutor explicita seu baixo grau de adesão/comprometimento para com o conteúdo verbalizado. O corpus do FUNCPAR (Grupo de Pesquisas Funcionalistas do Norte/Noroeste do Paraná), utilizado na presente pesquisa, inclusive ratifica o que Castilho já postula, uma vez que o entorno sintático das ocorrências do assim MD sintagmático traz outras evidências de modalização dubitativa. No entanto, o corpus aqui utilizado aponta para o fato de que também o assim anafórico textual participa da modalização quase-asseverativa. Isso também pode ser percebido pelo cotexto do item, repleto de expressões que denotam o descomprometimento do falante para com o conteúdo enunciado. Dentre tais expressões, as mais comuns parecem ser: qualquer coisa (assim), digamos (assim), vamos dizer (assim), essas coisas (assim), mais ou menos (assim), uma coisa (assim), além do MD , que, segundo Settekorn (1977; apud URBANO, 1999), sinaliza busca de aprovação discursiva, em momentos em que o falante conta com a aquiescência do ouvinte para com um conteúdo verbalizado de maneira incerta. Todas essas evidências, juntas, corroboram o fato de que, como já preconizam as teorias de GR, as ocorrências mais gramaticalizadas do assim se revestem de muito maior subjetivização se comparadas às ocorrências menos gramaticalizadas.