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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A análise literária na perspectiva do discurso em ato
Autor(es): Eliane Soares de Lima. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave enunciação, enunciação, semiótica
Resumo

No início do desenvolvimento da teoria semiótica de linha francesa, a problemática da enunciação ainda não era trazida à luz de modo significativo, para que a investigação se orientasse predominantemente à organização interna dos dispositivos significantes. Propunha-se uma investigação prioritariamente do domínio do discurso debreado, examinando o processo de significação a partir de articulações discursivas dadas no enunciado. Ao reconhecer-se, no entanto, a importância da atividade enunciativa na mediação e na conversão das estruturas sintáxicas e semânticas dos discursos, essa instância ganhou, pouco a pouco, espaço mais representativo dentro do quadro geral da teoria, para além do estatuto de pressuposto lógico. Se antes a semiótica greimasina preocupava-se fundamentalmente em apreender o processo semiótico em seu aspecto realizado, agora ela se interessa também, se não sobretudo, em compreender tal atividade na própria emergência do acontecimento da semiose, lançando luz sobre as circunstâncias perceptivas, sensíveis e afetivas da significação, sempre entendidas nas suas condições linguageiras. A partir dessa perspectiva, que considera a semiose como um ato simultâneo, e em devir, de produção e interpretação, a intenção é mostrar a operacionalidade, e a produtividade, desse ponto de vista teórico para a análise de textos literários, levando em conta sua dimensão sensível e inteligível, ética e estética. Para isso, privilegiaremos o exame da configuração dos efeitos de sentido passionais produzidos no momento da leitura, por acreditarmos que, na posição de co-enunciador, dada a sua influência direta sobre as escolhas, seleções e organizações operadas pela instância enunciante (orientação discursiva), a participação ativa do enunciatário no processo de significação, a partir do contato com o texto, é também passível de ser depreendida discursivamente, ajudando a compreender de maneira mais ampla a configuração da intersubjetividade que faz surgir os afetos no instante do contato, da interação com o enunciado. Assim, depois de uma explanação de cunho teórico sobre o assunto, a ideia é mostrar, a partir de um exemplo de análise comparativa de duas narrativas de Guimarães Rosa – “Conversa de bois”, de Sagarana, e “Campo Geral”, de Manuelzão e Miguilim –, como isso funciona na prática.