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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Identidade étnica e de gênero em cantos de trabalho
Autor(es): Ana Raquel Motta. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave linguagem e trabalho, linguagem e trabalho, Ergologia
Resumo

A relação entre música e trabalho é imemorial para o ser humano, e está presente, de diferentes formas, em diversos grupos sociais e épocas. Mesmo restringindo o fenômeno apenas aos cantos de trabalho, considerados aqui como aqueles que o trabalhador canta durante a atividade laboral, ainda estaremos diante de um conjunto diverso. Algumas vezes os cantos dão ritmo à atividade, o que pode ser importante para a produtividade e também para coordenar os movimentos individuais de participantes de um grupo, garantindo sua harmonia ou até sua segurança. Outras vezes preenchem a paisagem sonora e diminuem o cansaço e a monotonia em tarefas repetitivas, o que pode contribuir para tornar o trabalho mais interessante e prazeroso. É frequente também que as letras digam, de forma indireta ou direta, o que não se ousaria ou poderia dizer fora da canção a respeito do chefe, do trabalho, ou mesmo de outros assuntos cotidianos. Neste caso, os cantos de trabalho podem funcionar como linguagem cifrada para organizar politicamente os trabalhadores. Estes três aspectos estão presentes no corpus analisado, composto de cantos de trabalho no contexto brasileiro, latino americano e do sul dos Estados Unidos. Através de uma triangulação teórico-metodológica entre a Análise do Discurso, a Ergologia e a Etnomusicologia, verifica-se como a linguagem lítero-musical dos cantos de trabalho participa da construção da identidade do trabalhador em atividades como o corte de árvores por prisioneiros afro-americanos em prisões do Texas na década de 1960 e em atividades agrícolas realizadas em zonas rurais do Brasil e de outros países da América Latina em mutirões, com participação exclusiva de homens ou participação exclusiva de mulheres, nos dias atuais. Analisando as práticas discursivas de que participam melodias, ritmos e palavras dos cantos de trabalho, bem como o que os próprios trabalhadores falam sobre sua atividade, é possível verificar a presença de dramáticas do uso de si referentes às questões de identidade coletiva e pertença ao grupo, tanto do ponto de vista étnico quanto do de gênero.