logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: DEVER e PODER: a expressão das modalidades epistêmica e deôntica sob a perspectiva da GDF
Autor(es): Ana Maria Paulino Comparini, Lisângela Aparecida Guiraldelli. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave verbos modais, verbos modais, gramática discursivo-funcional
Resumo

Este trabalho faz parte de um simpósio intitulado Investigações funcionalistas sobre a expressão das categorias modalidade e evidencialidade no português brasileiro, o qual considera que “a modalidade é, essencialmente, um conjunto de relações entre o locutor, o enunciado e a realidade objetiva” (NEVES, 2006, p. 152). O trabalho utiliza o aparato teórico-metodológico de diferentes correntes do Funcionalismo, paradigma linguístico no qual fenômenos sintáticos e fenômenos semânticos são estudados sob o escopo da pragmática e trata de diferentes tipos de modalidade: a epistêmica, situada no eixo do conhecimento, diz respeito ao grau de comprometimento do falante com o que diz; a modalidade deôntica, situada no eixo da conduta, relacionada com obrigações e permissões; e a modalidade dinâmica, também rotulada de facultativa, relacionada à expressão de capacidade e de habilidade. No âmbito deste trabalho, interessa-nos, especialmente, a análise dos verbos modais poder e dever, a fim de verificar o seu comportamento pragmático, semântico e sintático no português do Brasil. Embora tradicionalmente, os verbos modais sejam vistos como unidades ambíguas, recobrindo ora um sentido epistêmico ora um sentido deôntico ou um sentido dinâmico, muitos são os levantamentos feitos por diversos pesquisadores sobre os aspectos sintáticos e semânticos destes verbos. Alguns consideram os verbos modais como ambíguos (PONTES, 1973); outros afirmam que eles devem ser vistos como unidades não ambíguas, sendo que somente um componente pragmático é que poderia explicar os diferentes valores assumidos por um modal (LOBATO, 1975) e, outros, ainda, consideram os modais portugueses como verbos comuns, “sintática e semanticamente não ambíguos” (LONGO, 1990, p.97). Assim, sustentamos a hipótese de que é possível caracterizar sintática e semanticamente os domínios de avaliação modal epistêmico e deôntico expressos por estes verbos. Para tanto, será adotado o aparato teórico-metodológico de base funcionalista da Gramática Discursivo-Funcional (HENGEVELD e MACKENZIE, 2008), um modelo de estrutura da linguagem tipologicamente baseado, proposto por seus autores como um componente gramatical de uma teoria mais ampla da interação verbal. Para a análise dos dados, serão utilizadas ocorrências reais da língua em uso extraídas do córpus de língua escrita organizado pelo Laboratório de Lexicografia da Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara e composto por textos jornalísticos, literários e técnicos.