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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Uma oitocentista contemporânea: leituras da paratopia criadora de Jane Austen
Autor(es): Amanda Aparecida Chieregatti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 29/02/2024
Palavra-chave Análise do Discurso, Análise do Discurso, Discurso Literário
Resumo

Partindo do quadro teórico da Análise do Discurso de linha francesa e, com base nos estudos sobre paratopia criadora apresentados por Dominique Maingueneau (2006), focalizamos três obras da autora inglesa Jane Austen (1775 – 1817), Razão e Sensibilidade (1811), Orgulho e Preconceito (1813) e Persuasão (1818), observando o funcionamento da autoria e analisando a leitura contemporânea dessas obras, que as refere como pertencentes ao discurso feminista. Tendo em vista o contexto social e histórico da Inglaterra do século XIX, abrangendo a primeira onda feminista que lidou majoritariamente com o sufrágio das mulheres, direitos trabalhistas e educacionais, que se desenrolava na época, e a Revolução Industrial e as guerras napoleônicas, procuramos apontar no discurso literário traços que permitem a leitura feminista que caracteriza a recepção de sua obra. A autora, sempre crítica à sociedade inglesa oitocentista, é aclamada ainda hoje pela descrição que faz da sociedade rural britânica, assim como pela força de sua narrativa e pela interação entre as personagens, destacando o que podemos chamar de “identidade feminina” por meio da criação de personalidades obstinadas, independentes e ousadas, que, contrariando a cultura em que estavam inseridas, não se deixavam pressionar pela busca de estabilidade por meio de um bom casamento. Mesmo dois séculos após a morte da autora e a publicação de seus romances, a obra de Jane Austen segue sendo considerada atual, é objeto de estudo e fóruns diversos, reunindo acadêmicos e fãs interessados todos em colocar em pauta suas personagens. Abordamos, aqui mais detidamente essa problemática da recepção, examinando costumes e hábitos não-escriturísticos que afetam a produção autoral, constituindo a autoria. O modelo teórico-metodológico de levantamento dos semas constitutivos desse funcionamento está apoiado sobre as três instâncias que se relacionam dinamicamente – escritor, inscritor e pessoa – de forma que tanto os elementos internos aos textos como os externos se mostram indissociáveis na obra literária. (Fapesp – Processo 2013/07897-6)