logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O contrato de veridicção figurativa em “O arquivo”
Autor(es): Renata Cristina Duarte. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Enunciador, Enunciador, figuratividade
Resumo

Tendo por base os pressupostos teórico-metodológicos da Semiótica Francesa, este trabalho analisa o conto “O arquivo”, do autor brasileiro contemporâneo Victor Giudice. O texto narra o percurso do sujeito “joão” no papel temático de trabalhador que, após ser explorado durante toda a sua vida pela empresa na qual trabalhava e a isso se sujeitar com alegria, vivencia, ao final da história, sua metamorfose em um arquivo de metal. O objetivo da análise é apreender as estratégias mobilizadas pelo enunciador, simulacro do produtor do texto, para alcançar a adesão do enunciatário-leitor, e o contrato fiduciário que entre eles se estabelece. Nesse sentido, os principais aspectos a serem observados é a composição da dimensão enunciativa, que Denis Bertrand, em sua obra Caminhos da Semiótica literária, considera como do âmbito da “semiótica da leitura”, já que é nesse lugar que é possível entrever as relações entre o enunciador e o enunciatário, e a construção da figuratividade, pois, como afirma o semioticista francês, as vias figurativas do sentido regem as diferentes formas de adesão à leitura. Dessa forma, Bertrand propõe o trabalho com quatro vias de adesão ao texto baseadas em posições distintas dos leitores perante as classes dos textos figurativos: o “crer assumido”, o “crer recusado”, o “crer crítico” e o “crer em crise”. Assim, este trabalho também visa ao reconhecimento da via contratual responsável pela adesão do enunciatário-leitor ao texto, objeto de análise. A análise baseia-se na hipótese de que o enunciatário-leitor adere ao texto por meio essencialmente do “crer crítico” em que a racionalidade se processa por analogia. Nessa forma de adesão do leitor ao texto as associações de imagens e figuras não esgotam sua significação na simples figuração, mas engendram ideias, e o leitor se torna fonte de sentido, pois é responsável por interpretar e mesmo transcender os sentidos inscritos no texto de forma a construir outra significação. Portanto, o lugar da adesão se desloca da ilusão referencial para a ilusão interpretativa. (Apoio: CAPES/INEP/OBEDUC - Projeto nº 70).