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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A distinção contável-massivo em estruturas comparativas: singular nu no português brasileiro
Autor(es): KAYRON CAMPOS BEVILAQUA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Massa, Massa, Comparação
Resumo

Neste trabalho, investigamos o singular nu e o chamado "fake mass noun" (“mobília”, “bagagem”) no PB em estruturas comparativas. O singular nu e os "fake mass" se comportam de forma parecida sob o escopo da comparação: ambos aceitam comparação tanto por volume quanto por cardinalidade. 

(1)a. João tem mais mobília que Pedro. Ele vai precisar de um caminhão maior. (volume). João tem 5 cadeiras e Pedro só tem 3. (cardinal)

(2) Essa lata tem mais minhoca que aquela. (cardinal/volume)

Contudo, como mostram Bale/Barner (2009), "fake mass" denotam um conjunto de indivíduos e a comparação só tem escopo sobre as unidades. Existem também, no inglês, os chamados "flexible nouns" ("stone" e "string") que permitem tanto interpretação massiva quanto cardinal a depender do contexto. A partir disso, Bale/Barner (2009) concluem que: (i) nomes que denotam indivíduos são comparados apenas por cardinalidade; (ii) "flexible nouns" são sempre comparados por cardinalidade quando usados em um contexto contável, mas nunca quando usados em um contexto massivo. Essas conclusões levam a predições incorretas em relação ao PB, como mostram os exemplos (1) e (2). Assim, questionamos: Diferentemente do PB, "fake mass" são sempre comparados via cardinalidade no inglês? Por que "flexible nouns" no inglês apenas aceitam ou uma ou outra interpretação (cardinal ou volume) enquanto o PB aceita as duas? Trazemos alguns resultados de Grimm (2012): "fake mass" também permitem a interpretação de volume em Inglês. Também, argumentamos no sentido de Pires de Oliveira/Rothstein (2011): o singular nu no PB se comporta como massa ao qual pode ser aplicada uma operação de contagem, resultando em um predicado com átomos individualizados. Em Inglês, esta operação é obrigatória, no PB não. Em nossa proposta, quando há comparação, uma escala não cardinal estará sempre disponível para o singular nu e "fake mass". A comparação por cardinalidade é possível apenas no caso em que o nome possui átomos naturais (Rothstein (2010). No inglês "flexible nouns" se comportam como o singular nu no PB. O fato de que esses nomes não aceitam ambas interpretação cardinal e de volume na mesma sintaxe é explicado pelo fato de que a sintaxe no inglês é especializada. No inglês, a sintaxe contável (morfologia plural) barra a interpretação não-cardinal dos "flexible nouns". Por outro lado, como a morfologia plural é menos obrigatória no PB, a interpretação não-cardinal está sempre disponível. Essa análise nos permite explicar certos contraste entre o inglês e o PB.