logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A história de um romance gaúcho desconhecido: Frida Meyer
Autor(es): Lucas Flores Hayet, Ivânia Campigotto Aquino. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Romance Gaúcho, Romance Gaúcho, Crítica Literária
Resumo

Frida Meyer, de Vivaldo Coaracy, é um romance sul-rio-grandense publicado em 1924, mas ainda desconhecido. Contam-se os raros leitores que dele têm notícias e a crítica literária não o contemplou em suas análises. Narra uma história de teuto-gaúchos que habitam o centro de Porto Alegre, no período histórico da Primeira Guerra Mundial, fazendo parte, portanto, do conjunto de romances que aborda as questões de imigração e colonização do RS. Foi escrito e editado, mas não circulou entre a população. Não obteve nenhum êxito, nem alcançou nenhuma repercussão. Estava em mãos da editora do Monteiro Lobato às vésperas da falência da empresa, o que ocasionou o aniquilamento do projeto literário do escritor. Por meio desta pesquisa, foi possível localizar um exemplar de Frida Meyer. Com a aquisição do exemplar, iniciou-se um estudo detalhado da trajetória da obra, buscando, para isso, informações em livros de memórias do autor e em contatos telefônicos com os familiares. Após, os estudos se dirigiram para a temática e o processo de criação do autor. Cem anos depois da chegada dos primeiros colonizadores alemães no RS, a narrativa de Vivaldo Coaracy encontrou-se com uma vasta experiência da etnia no estado. A presença dos teuto-gaúchos havia resultado na formação de núcleos socioeconômicos sólidos e bem reconhecidos em Porto Alegre, haja vista a consolidação do comércio no espaço central da Capital. Porém, também havia resultado na construção de relações sociais conflitadas. Questões cruciais que envolviam alemães e brasileiros estavam em plena discussão, como o “perigo alemão” e a repercussão dos acontecimentos da Primeira Guerra Mundial para o Brasil, além de o país estar às vésperas da campanha de nacionalização. Nessas circunstâncias, os teuto-gaúchos sofreram agressões e foram submetidos a perseguições da população, de órgãos da imprensa, de instâncias políticas e órgãos governamentais. Ressalta-se que, por ter vivido e trabalhado em Porto Alegre, tendo colegas de origem alemã, o autor contava com a referência de sua convivência pessoal com a comunidade alemã no momento da representação literária. Além disso, estava à disposição uma já consolidada história do romance brasileiro, história que havia levado os intelectuais e artistas de todas as áreas para o Modernismo.