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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Rasuras em segmentação de palavras e o processo de aquisição da escrita
Autor(es): Adelaide Maria Nunes Camilo. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave segmentação, segmentação, rasuras
Resumo

Neste trabalho, buscamos discutir as rasuras em segmentações não-convencionais de palavras como pistas, não apenas da percepção de aspectos prosódicos da língua portuguesa, mas do seu trânsito por práticas letradas/escritas e orais/faladas, possibilitando a identificação de características linguísticas. Para tanto, usaremos, como material base, textos produzidos por duas crianças em contexto escolar, provenientes de um banco longitudinal coletado em uma escola particular da cidade de Campinas, assim como textos de crianças do Ensino Fundamental II (sexto ao nono ano) de uma escola pública da cidade de São José do Rio Preto, obtidos em um trabalho anterior, de Iniciação Científica. Ao analisar os dados encontrados, notamos que as alunas, ainda nas séries iniciais, apresentavam dificuldades de segmentação com as estruturas clítico + palavra fonológica, tendo como pico de ocorrências a segunda e terceira séries. De maneira geral, as rasuras aconteciam, especialmente, quando as palavras envolvidas na construção diziam respeito à preposição “em” quando parte de construções como “enfim”, “embora”, “em cima”, ora juntando-a à palavra seguinte, ora mantendo-a como unidade isolada. A partir dos dados, percebemos que, ao rasurar, a criança explicita sua dúvida não só quanto ao limite de palavras, mas também ao funcionamento da língua, à medida que reconhece a existência de palavras que podem ser usadas tanto como formas independentes como partes de uma única palavra. O que nos chama atenção é que, ao atingir séries mais avançadas do ensino fundamental, esse tipo de ocorrência praticamente desaparece dos textos de ambos os sujeitos analisados, fato que muito contrasta com os resultados que obtivemos em estudos anteriores, com outras crianças no ensino fundamental. Nesses estudos, notamos que crianças do estudo anterior apresentavam um grande número de rasuras em segmentações não-convencionais. A partir da comparação entre os dados, concluímos que o tempo de escolarização da criança não é o fator mais relevante no que tange o domínio da segmentação, mas o possível contato com situações de escrita fora da escola. Considerando que nossos dois sujeitos são filhas de professoras universitárias e, conhecendo toda sua produção escrita, notamos que a presença de material escrito era constante em seu dia-a-dia. Tal contato proporcionou às crianças a observação de regras do funcionamento do código escrito, como o espaço em branco entre palavras e a direcionalidade da escrita, diferentemente dos demais alunos, que tinham a escola como fonte primária de material escrito.