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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O impróprio do nome próprio na roliúde brasileira
Autor(es): Antonieta Heyden Megale. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave estrangeirismos, estrangeirismos, nomes próprios
Resumo

A primeira pergunta de um questionário ou a primeira linha de um currículo é composta pelo nome próprio. O nome é o principal identificador de um indivíduo em sua vida social e tem implicação direta na imagem que o sujeito constrói de si mesmo, na imagem que ele quer projetar de si e na imagem que o outro constrói do sujeito. Nesta comunicação, mediante a análise de um website no qual futuros pais discutem e pedem sugestões acerca do nome de seus filhos, busco compreender as razões que levam esses indivíduos a optarem por nomes que derivam ou que possuem em sua grafia traços da língua inglesa. A partir dos anos 80, por força da globalização, “a língua inglesa adquiriu novos traços e riscos amplamente associados ao regime econômico neoliberal” (ASSIS-PETERSON, 2008, p.327). Desse modo, a língua inglesa passou a ser uma moeda de alta cotação no mercado linguístico-cultural brasileiro. Nesse sentido, Blommaert (2006) alerta para o fato de que tanto o processo de disseminação quanto o de emergência de uma língua são processos ideológicos. Entende-se que ideologia, neste trabalho, se refere “às crenças e suposições inconscientes que são naturalizadas e, consequentemente, contribuem para a hegemonia” (TOLLEFSON, 2006, p.47). Sob esse prisma, é importante analisar que a política linguística que levou à hegemonia do inglês manifesta-se de diversas maneiras e não necessariamente reflete o fato de que brasileiros, de modo geral, realmente precisam do inglês. A língua de mais amplo uso beneficia-se das imagens dos anúncios de corporações multinacionais e de sua associação com o sucesso e o hedonismo. Percebe-se que os dados analisados podem ser agrupados em três diferentes categorias: (i) nomes oriundos de países de língua inglesa que mantém a grafia do inglês; (ii) nomes que não são, mas parecem derivar do inglês por conta da ortografia adotada e (iii) nomes de origem inglesa que são adaptados à ortografia do português. A análise aponta para o fato de que a escolha de um nome próprio derivado da língua inglesa pode estar relacionada ao desejo de mudança do status quo. No entanto, ao adotarem esses nomes para seus filhos, brasileiros transformam e transcendem o inglês, o desenraizando de sua americanidade e o tornando uma língua "bastarda adaptada às distorções que as culturas lhes infligem" (ORTIZ, 2003, p. 192).