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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O discurso humorístico politicamente incorreto: a arte do insulto?
Autor(es): DANIELLE CHRISTIANE DA SILVA VIVEIROS. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Discurso Humorístico, Discurso Humorístico, A Arte do Insulto
Resumo

Considerando a popularidade atual do humor, manifestado nas mais diversas formas, e as reações da sociedade a essas manifestações, elabora-se este trabalho sabendo que a profusão dessas manifestações revela uma ampla liberdade de expressão, para cuja conquista o humor também teve sua parcela de contribuição. Jornalistas, escritores e comediantes saúdam essa liberdade, entendendo que o espaço para o humor não está a serviço apenas da diversão, mas também da crítica social. Há, contudo, quem considere que, no exercício dessa liberdade, excessos estejam sendo cometidos. Em resposta a isso, alguns afirmam não ser possível provocar o riso sem incomodar, já que o humor se constrói a partir de um olhar crítico sobre o comportamento humano. Desse modo, o objetivo deste trabalho é analisar as celeumas, desdobramentos e inserções em torno do discurso “politicamente incorreto” do show de stand-up comedy de Rafinha Bastos, “A Arte do Insulto” (2011). Observa-se que este estudo se refere a um tema complexo, uma vez que o movimento por um comportamento politicamente correto tem méritos políticos óbvios. Mas, em relação à linguagem, comete alguns equívocos relativamente banais como considerar que a troca de palavras marcadas por palavras não marcadas ideologicamente pode produzir a diminuição dos preconceitos. Para Possenti e Baronas (2006), trata-se de uma tese simplista, já que é mais provavelmente a existência dos preconceitos que produz aqueles efeitos de sentido, embora não se possa desprezar o fato de que o discurso pode servir para realimentar as condições sociais que dão suporte às ideologias e aos próprios discursos. Desse modo, o humor “politicamente incorreto” produzido nesses novos formatos “escandaliza” porque não é apenas uma piada ou ironia, mas se constitui como uma prática que revela o estilo de vida de seu autor uma vez que a concepção de discurso aqui é analisada como prática social de sentido e de significados às ações cotidianas. Os discursos representam a própria prática discursiva e, portanto, são ações que dizem a sua intencionalidade. Diante disso, a espontaneidade e a autorridicularização irônica que o autor faz de si, associa o humor a um habitus cultural do riso, o que não resulta apenas da situação narrada, mas do fato de ser inesperada. O sucesso desse formato de humor de “cara limpa” resulta da suspensão temporária das regras do politicamente correto que permite o público rir sem culpa, visto que a culpabilidade será atribuída apenas ao artista.