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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Tópico em posição pós-verbal no português brasileiro
Autor(es): FERNANDA ROSA DA SILVA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Estrutura Informacional, Estrutura Informacional, Tópico
Resumo

O presente trabalho tem como objetivo verificar as propriedades semânticas, sintáticas e pragmáticas de sentenças do português brasileiro que contenham constituintes com função informacional de tópico em posição pós-verbal. Observe as sentenças abaixo:

1) A: Onde estão os livros?

B: Estão na mesa, os livros.

 

2) A: O que aconteceu com o sorvete?

B: Derreteu, o sorvete.

Nos contextos acima, os sintagmas na posição de sujeito pós-verbal possuem a função informacional de tópico. Tópico é considerado o elemento já disponível no discurso. No caso de (1)B, por exemplo, “os livros”, sintagma pós-verbal, tem a função de tópico, pois já havia sido inserido no discurso através da pergunta em (1)A. O mesmo ocorre com “o sorvete em (2)B, que, por ser um elemento já disponível no discurso, tem a função de tópico. Esta posição pós-verbal em algumas línguas, incluindo o português europeu (Duarte (2003), Costa (1998)), é destinada para foco, elemento que representa uma informação nova no discurso. No entanto, em PB, como pudemos observar nos exemplos acima, é possível haver sentenças em que o elemento pós-verbal tenha a função de tópico. Nossa proposta, tomando como ponto de partida Erteschik-Shir(2007), Büring (1999, 2003) e Roberts (1996), que apresentam trabalhos para a estrutura informacional na interface semântico-pragmática, é que estruturas sintáticas como as presentes nas sentenças acima com constituintes de tópico na posição pós-verbal são licenciadas no PB a partir condições pragmáticas como princípio de conversação e implicaturas conversacionais de Grice (1967). Se o falante opta por uma estrutura complexa, que apresenta o sintagma com função informacional de tópico em uma posição não comum a sintagmas com este tipo de função, é porque ele deseja trazer informações não explícitas em seu enunciado que são importantes para o andamento e interpretação do diálogo. Além disso, propomos uma estrutura sintática profunda única tanto para sentenças com tópico pós-verbal, quanto para sentenças com tópico pré-verbal. As sentenças como as descritas abaixo possuem a mesma estrutura sintática, o que vai determinar a diferença de posição são questões semântico-pragmáticas, como já mencionado acima.

3) Derreteu, o sorvete.

4) O sorvete derreteu.