logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Com o selvagem na motocicleta: formas de vida do ator
Autor(es): Amanda Cristina Martins Raiz. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave formas de vida , formas de vida , relacionamento amoroso
Resumo

Na apresentação do dossiê sobre as formas de vida, documento publicado na Recherches Semiotiques, Semiotic Inquiry, Fontanille (1993) elucida que a temática das formas de vida na semiótica greimasiana é proveniente das seguintes preocupações: 1) relativamente à práxis enunciativa, pois as formas de vida originam-se e desfazem-se pelo uso, de modo que são inventadas, praticadas ou denunciadas por instâncias enunciativas coletivas ou individuais; 2) no tocante à estética, a relação das formas de vida com a “estetização” da ética acontece porque elas somente dão um sentido à vida quando estão em concordância com determinados critérios de cunho sensível e estético. Em “Le beau geste”, Greimas (1993) comenta que as formas de vidas referem-se a uma nova concepção de vida, ou seja, uma “forma” que representa uma atitude, um comportamento esquematizável do sujeito. Portanto, para Greimas (1993), o belo gesto é um acontecimento semiótico considerável que afeta a forma aspectual das condutas. Quanto à interação enunciador/enunciatário, o enunciador é o ente responsável pela propositura de uma nova ética ao enunciatário, suspendendo usos estabelecidos, negando valores e propondo a ele a abertura de um devir axiológico. O enunciatário depara-se, então, com uma nova estesia, pois diante de uma estetização que o faz perceber algo novo e depara-se, então, submetido à surpresa. O enunciatário é solicitado pela ruptura, fenômeno capaz de provocar uma mudança radical em seu modo de viver. Esse fenômeno tem sido abordado por Zilberberg (2012), na “semiótica do acontecimento”, pois o semioticista considera a afetividade uma categoria que rege o discurso e a ruptura na vida de um sujeito será algo que o coloca em oposição à sua rotina enfadonha. Com base nesses pressupostos teórico-metodológicos, verifico em minha tese de doutorado como estão configuradas as formas de vida da adolescente brasileira do século 21 no periódico Atrevida. Na esteira dessas proposições teóricas, para esta comunicação, analiso as reportagens “O ano do bom menino” (1995) e “Ai que vergonha” (2004) e um texto publicitário (2008). Diante das figuras /príncipe encantado/ e /menino mico/, é possível perceber que o enunciador sugere uma nova forma de vida à sua enunciatária, quando discursiviza a passagem cronológica da admissão de um novo valor: estar em conjunção com o objeto valor /felicidade/ ao se relacionar amorosamente com o “menino mico” mas “simpático, cheiroso, bem vestido, inteligente, engraçado”. (APOIO: CNPq)