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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O discurso da homogeneidade da língua atravessado por discursos outros
Autor(es): Elizete Beatriz Azambuja. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 02/03/2024
Palavra-chave discursividade, discursividade, língua
Resumo

Neste trabalho, apresentamos uma reflexão sobre a relação sujeito/língua e o fato de o discurso sobre a língua ser atravessado por outros discursos. Para isso, tomamos enunciados que foram produzidos no espaço dos comentários em um dos blogs que trouxe a matéria com o seguinte título: “Livro usado pelo MEC ensina aluno a falar errado” (12/05/2011). Os enunciados ilustram a repercussão nacional que teve a publicação do livro didático de língua portuguesa Por uma vida melhor, da coleção Viver, aprender, adotado pelo Ministério da Educação (MEC) para a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para orientar a nossa reflexão, fundamentamo-nos na teoria Análise de Discurso, especialmente nas reflexões desenvolvidas por sobre a relação sujeito/língua, a constituição ideológica e a heterogeneidade dos discursos. Conforme Orlandi (1990) há uma relação de um discurso com outros, que contribuem igualmente para que sejam produzidos seus efeitos de sentido e isso pode ser notado no material analisado. No decorrer do texto, também chamamos a atenção para o funcionamento da ideologia que, independentemente do lugar em que vive, o falante produz efeitos de sentidos com os quais ele se identifica ou não. O sentido de língua com o qual o sujeito se identifica “só pode ser aquele”, em todo o lugar, em todos os tempos, pois é “o” sentido e não há outro possível. Em outros termos, o efeito ideológico produz a naturalização dos sentidos, des-historicizando-os. Os enunciados que apresentamos ilustram a discursividade que se constitui por argumentos que sustentam um discurso em que os sentidos atribuídos à língua é de unicidade, homogeneidade, padronização. Nesta perspectiva, há um discurso social sobre a língua que é atravessado por vários outros discursos, como o da violência, o religioso, da economia capitalista, o discurso homofóbico, o da linguística, o discurso irônico, entre outros. Também apontamos para o que diz Orlandi (2012) sobre o fato de que, onde há interpretações, entram distintas versões. Assim, embora haja uma discursividade predominante, podemos observar alguns enunciados com diferenças em relação ao modo de atribuir sentidos à língua.