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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O pastor e o político: a religiosidade e o discurso público
Autor(es): Guilherme Beraldo de Andrade. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave RELIGIÃO, RELIGIÃO, RETÓRICA
Resumo

O presente trabalho pretende analisar a estrutura retórica e argumentativa do discurso de um líder religioso enquanto também ocupante de um cargo político eleitoral. Em um regime democrático laico, fundamentado em sufrágios universais pontuais, lideranças das mais diversas religiões e crenças vêm alcançando o cargo público de deputado federal à despeito de votação expressiva de fiéis e seguidores. A compreensão desse fenômeno contemporâneo brasileiro qualifica a análise da atuação das lideranças religiosas na expressão de seus discursos, notadamente quando envoltos em temas socioeconômicos e culturais no ambiente legislativo. O corpus deste trabalho se constitui no estudo do discurso (registrado em vídeo e disponível on-line) proferido pelo deputado e pastor evangélico Marco Feliciano em uma pregação no Congresso dos Gideões Missionários da Ultima Hora do ano de 2012, oportunidade em que o orador se apresenta como pastor e profeta. O discurso produzido exterioriza nuances argumentativas merecedoras de compreensão e identificação, manifestadas pela linguagem e seus significados implícitos, bem como no gestual utilizado pelo orador. As análises fundamentar-se-ão prioritariamente na linha de pesquisa da Retórica dos trabalhos de Perelman & Olbrechts-Tyteca (2005), Meyer (2007) e Halliday (1988), os quais determinam e explicitam a questão do aspecto argumentativo em sua construção. Através de uma revisão bibliográfica, considerando a tríade retórica aristotélica éthos, páthos e lógos, os resultados preliminares da análise evidenciam que o orador busca pautar seu discurso em convicções religiosas direcionadas, consoante aos seus seguidores, mesmo na condição de ocupante de um cargo público eleitoral. Tal fato, aliado à constatação da utilização de técnicas apuradas de prosódia, garantem a receptividade do auditório quanto a sua proposta no ambiente religioso. Por outro lado, quando esse mesmo discurso é levado para o cenário político brasileiro, tem-se a rejeição de suas teses por grande parte da população, a qual, em sua consciência, comunga o imaginário de um orador carente de naturalidade e verdade, gerando aversão às suas percepções e atitudes.