logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Construções perifrásticas e não-perifrásticas no português: uma abordagem discursivo funcional
Autor(es): Danytiele Cristina Fernandes de Paula. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Construções perifrásticas, Construções perifrásticas, Gramática Discursivo Funcional
Resumo

Baseado em um trabalho de pesquisa anterior, denominado Ordenação de constituintes do sintagma verbal nas variedades portuguesas (FAPESP – Processo no. 2010/19767-1), o presente trabalho tem como proposta discutir a classificação das construções perifrásticas e não-perifrásticas da língua portuguesa, baseada na investigação da ordem de operadores e modificadores do sintagma verbal no português. Para tanto, toma-se como aparato teórico a Gramática Discursivo-Funcional, desenvolvida por Hengeveld e Mackenzie (2008), assumindo uma perspectiva funcional para a ordenação de constituintes e para a análise das construções verbais perifrásticas, e, como universo de pesquisa, ocorrências reais de uso extraídas do corpus oral organizado pelo Centro de Lingüística da Universidade de Lisboa, em parceria com a Universidade de Toulouse-le-Mirail e a Universidade de Provença-Aix-Marselha, do qual foram selecionadas as amostragens referentes às variedades que constituem língua oficial do país, ou seja, a brasileira, a portuguesa, as africanas. Os resultados parciais ressaltam a característica auxiliar dos verbos ter, haver, estar e ir (quando indicador de futuridade) para a formação do tempo composto e para a indicação de aspecto progressivo (construções formadas com o verbo estar), mostrando que esses auxiliares possuem fortes restrições quanto à inserção de elementos na construção perifrástica e apresentam uma ordenação rígida, além de terem seu significado léxico esvaziado, representando apenas informações gramaticais, no caso deste estudo, as de tempo e aspecto. Quanto às construções consideradas tradicionalmente como perífrases aspectuais e modais, a análise funcional das ocorrências mostrou que são, na realidade, subordinações e não perífrases. Os dados revelam que verbos como começar, acabar, poder, querer, costumar, etc. mantêm seu significado lexical, sendo que é deste significado que provêm as noções de aspecto e modo e não da junção perifrástica como no caso das perífrases formadas com os verbos auxiliares citados acima. Consequentemente, essas construções não-perifrásticas não apresentam grandes restrições para a inserção de elementos entre o verbo aspectual ou modal e a palavra verbal a seguir, sendo possível até mesmo casos em que advérbios complexos ou marcadores interacionais são inseridos entre eles. Por fim, a ordenação desses casos é realizada na camada da Oração, comprovando que há uma subordinação com núcleos distintos. Com esses resultados, objetivamos fornecer uma descrição funcional mais adequada para as construções perifrásticas e não-perifrásticas no português, bem como para a ordem dos constituintes do sintagma verbal, com uma metodologia em que as generalizações de ordem formal, sintática, sejam necessariamente decorrentes de generalizações dos níveis pragmático e semântico.