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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Aquisição da língua escrita pelo surdo: um processo a ser questionado
Autor(es): LUCINEA DA SILVA SANTANA, Silvana Perottino. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Aquisição de L2, Aquisição de L2, surdez
Resumo

Este trabalho procura fazer uma reflexão sobre a aquisição da língua escrita pelo surdo. Consideramos importante realizar, primeiramente, uma discussão acerca da língua materna para o surdo, compreendida aqui como um conceito que faz referência à possibilidade de se falar, para um sujeito, de uma única língua materna ou, ainda, de mais de uma (PEREIRA DE CASTRO, 2006). Procuramos trazer considerações a respeito da língua materna formulada no interior da perspectiva interacionista em aquisição da linguagem para a qual a aquisição da linguagem é um processo de subjetivação, por isso afastada de concepções que veem a aquisição da linguagem como sendo natural ou efetivada por superação de etapas em que se atinge ao final, a condição de falante proficiente da sua língua materna. Interrogamo-nos nesta pesquisa a respeito da captura da criança surda pela língua portuguesa escrita, especificamente em relação à condição de língua – estrangeira? - para esse sujeito. Estudos realizados na área da surdez, Fernandes (2003, 2007); Quadros (1997, 1999) têm apontado para a aquisição da língua portuguesa escrita pelo surdo como sendo uma aquisição de L2, ou seja, a língua de sinais constitui a língua materna – L1 – e a língua portuguesa, no caso do Brasil, a segunda língua para os surdos. Levantamos ainda algumas pesquisas que estão sendo realizadas em torno da escrita da língua de sinais, como o SignWriting (Barreto, 2012), o ELIS (Barros, 2008) e sistema SEL (Lessa-de-Oliveira, 2011), fazendo uma discussão sobre a necessidade de colocar efetivamente em uso um desses sistemas de escrita, já que a língua de sinais ainda é considerada uma língua ágrafa. O sistema Sign Writing é um dos mais difundidos, todavia, no Brasil é ainda incipiente e está em fase de experimentação (GESSER, 2009). Em consequência deste fato, o processo de alfabetização/letramento dos surdos continua acontecendo através de uma segunda língua, o português. Soma-se a isso, o fato de que, nas escolas, a escrita é ensinada com base na oralidade, situação que em nada favorece a aprendizagem dos alunos surdos. Desta forma, concluímos este trabalho, mostrando que as especificidades linguísticas das pessoas com surdez não tem sido contempladas nesse processo, já que os discentes surdos têm apresentado grandes problemas em seu processo de escolarização no que se refere à produção textual, visto que, a escrita dessas pessoas apresenta-se de forma atípica, propensa a desrespeitar a norma convencional da língua.