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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Da ‘Pátria de chuteirasÂ’ à ‘Copa das copasÂ’ na mídia: um breve estudo discursivo da comunicação política brasileira
Autor(es): Roberto Leiser Baronas. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Comunicação política, Comunicação política, Aforização
Resumo

Nesta comunicação, objetivamos analisar a relação entre comunicação política, futebol e slogan. Para tanto, analisamos um conjunto de matérias dadas a circular nos dois primeiros meses de 2014, pela mídia brasileira, alegando uma mudança de discurso do governo federal em relação à realização da Copa do Mundo. Trabalhamos com os textos jornalísticos veiculados pelo jornal Folha de S. Paulo, em suas edições online, cujo foco se deu na asserção de que “Dilma passou a enfatizar o ufanismo em torno do ‘país do futebol’ e a abordar menos a questão do ‘legado’, como obras de infraestrutura e meios de transporte”. Segundo o jornal paulistano, tal mudança se deu em função de haver, por parte de uma parcela significativa da população brasileira, um descontentamento crescente em relação à realização do evento esportivo no Brasil. Assim, se antes do crescente descontentamento popular, o slogan adotado pelo governo federal era o “Pátria de chuteiras”, agora, o governo estrategicamente passou a enfatizar mais o “Copa das copas”. Nossa questão de fundo é compreender discursivamente com base na teoria da enunciação aforizante, proposta por Maingueneau (2010; 2011 e 2012) a mudança de discurso, reescrita na mudança de slogan por parte do governo federal. A ideia central da problemática da aforização é a de que as “frases sem texto” prescindem de textos e de gêneros para circular, o que não significa que as primeiras sejam completamente independentes dos segundos. No entendimento de Maingueneau, o essencial é que a enunciação aforizante tem um modo de funcionamento enunciativo próprio, que difere da ordem textualizante na qual estão inscritos os textos e os gêneros e que essas diferentes ordens estão em constante tensão. Nesse sentido, buscamos entender, por um lado, a mudança de discurso do governo federal, sugerida pela Folha, como uma forma de a mídia retomar interdiscursivamente o discurso de reprovação do governo Dilma (cujo ápice se deu durante as manifestações de junho último), tentando colar a rejeição ao evento esportivo ao desempenho do Governo Dilma em todas as suas áreas de atuação, sugerindo desse modo, em relação a essa performance, uma espécie de percurso discursivo disfórico deôntico de interpretação. Ademais, por outro lado, tentamos compreender, de forma um pouco diferente do que propõe Maingueneau (2012), as relações entre o slogan e a conjuntura sócio-histórica que o engendra.