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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Elena – Máquina: uma alegoria que floresce num mundo abandonado
Autor(es): KATIUSCIA CORRÊA RICARDO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave Memória, Memória, Luto
Resumo

A proposta desse trabalho, consiste na análise da obra A cidade ausente (1992) de Ricardo Piglia, tomando como ponto de partida, a alegoria. O objeto alegórico analisado aqui se instaura na obra não por um recurso a um sentido abstrato, e sim, na materialidade de uma inscrição. A forma original da alegoria toma corpo através da personagem narradora “máquina”, mantendo uma relação muito forte com um mundo abandonado e que não se rendeu, todavia ao esquecimento. Esse lugar no qual falamos é Bueno Aires. O que está em jogo na ficção de Piglia é uma emblematização do “cadáver” de Elena, que paralisa o tempo, afirmando-se como objeto alegórico por excelência. Pois o corpo que começa a se decompor, remete inevitavelmente, a essa fascinação com as possibilidades significativas da ruína que categorizam a alegoria. Destinada a honrar a memória das histórias dos vencidos, do gaúcho invisível, dos pós-ditadura, dos ex-patriados, e vários outros, Elena acaba por honrar o “desaparecimento” das histórias verdadeiras desses que aspirava homenagear. Todo esse movimento alcança o seu ponto culminante, quando de forma alegórica o cadáver de Elena emerge da derrota (falamos da morte), para contar a história dos sobreviventes e imaginar que o futuro não repetirá o passado. Isso acontece, pois Macedonio a tem como a Eterna, ele manteve a convicção de que a máquina de relatos – o museu do romance – combinaria restituição política e afetiva. “Da lembrança de Elena dependia a possibilidade mesma de sobrevivência numa polis em que o estado exercia seu controle, inserindo memórias artificiais, privando os sujeitos de seu passado e forçando-lhes a viver em terceira pessoa”, o que daria a Elena papel principal. (Avelar, 2003, 133). Sendo assim, Piglia escreve uma ficção na qual se pode pensar a existência de uma máquina afetiva (Elena) que narrasse o amor perdido, traduzindo e transformando as histórias, suspendendo a morte num mundo virtual. O luto por Elena serve de base ao desdobramento de relatos da máquina. Após sua morte, Macedonio rendeu-se ao limite da renúncia. Portanto, nosso interesse caminha em direção a entender como o “luto”, desencadeia o processo de superação da perda no qual a separação entre o eu (Macedônio Fernández) e o objeto perdido (Elena Obieta), ainda pode ser levada a cabo, enquanto que na melancolia a identificação com o objeto perdido chega a um extremo no qual o próprio “eu” é envolvido e convertido em parte da perda.