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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Heterogeneidade dos gêneros do discurso: as relações intergenéricas no emprego de marcas proverbiais em redações de vestibular
Autor(es): Glauce de Oliveira Alves. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave relações intergenéricas, relações intergenéricas, redações de vestibular
Resumo

O presente trabalho tem por objetivo investigar o mecanismo de relações intergenéricas, contato intrínseco dos gêneros do discurso, existente no emprego de marcas proverbiais – termo que utilizo para designar diferentes formas de apresentação do provérbio na qualidade de gênero do discurso em redações de vestibular. Viso a atestar a heterogeneidade dos gêneros, em especial, do provérbio, não pela variedade genérica, mas pela ausência de uniformidade em sua natureza, ocasionada pelo trânsito por outros gêneros e por diferentes práticas. O material de análise é composto por dois conjuntos de redações, a saber: sessenta redações do vestibular da FUVEST do ano de 2006 (tema Trabalho) e sessenta redações do vestibular da FUVEST do ano de 2009 (tema Fronteiras), totalizando cento e vinte textos. Sob um olhar enunciativo-discursivo, baseio-me nos estudos de Bakhtin/Medviédev (2012), que revela que a gênese dos gêneros do discurso se fundamenta no indissociável contato entre gêneros; de Corrêa (2001; 2004), que desenvolve o conceito de heterogeneidade da escrita; de Corrêa (2006) que, baseando-se na teoria dos gêneros do discurso de Bakhtin (2003), propõe o mecanismo de relações intergenéricas como constitutivo dos gêneros; de Lysardo-Dias (2004), que compreende o provérbio como um gênero, cujo funcionamento discursivo deriva de sua inserção obrigatória em outro gênero; e de Maingueneau (1997; 2002; 2010), no que tange à captação proverbial que consiste em formas particulares de apropriação do provérbio. Concebo a heterogeneidade dos gêneros do discurso como fruto do mecanismo de relações intergenéricas constitutivo dos gêneros. No caso dos provérbios, seu funcionamento discursivo comprova sua natureza heterogênea por: a) necessitar de um gênero receptáculo, o que lhe permite transitar por práticas distintas (orais ou letradas); b) apresentar contato inerente com outros gêneros, ilustrando a dinamicidade de sua formulação; e c) carregar consigo algum gênero, do qual participava como elemento das relações intergenéricas, ao se inserir em um gênero receptáculo. (APOIO: FAPESP- PROCESSO 2011-16337-9)