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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Atividade epilinguística: articulação entre o psíquico e o cognitivo
Autor(es): Andressa Cristina Coutinho Barboza. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave atividade epilinguística, atividade epilinguística, criatividade
Resumo

Desde seu nascimento, a criança é inserida na cultura por meio da linguagem e convocada a participar de laços sociais que a vinculam ao desejo e aos significantes provindos do outro. Essa entrada é inicialmente marcada por uma relação de alienação, por meio da qual a criança tem acesso à língua e reproduz a articulação de seus sons, uso de sua estrutura e a construção de seus sentidos (LACAN, 1964). À medida que a criança consegue fazer uso dos significantes que lhe são oferecidos de maneira autônoma, ela pode transitar pela cultura, produzindo textos singulares e criativos. Com a proposta identificar pistas que permitam caracterizar marcas de subjetividade e criatividade em produções linguísticas, este trabalho analisa a atividade epilinguística como índice significativo que pode permitir a inferência da relação entre o sujeito (do desejo inconsciente) e a língua. Culioli (1968) define o epilinguístico como a passagem das representações mentais (cognitivas ou afetivas) para representações linguísticas, possibilitando a expressão do pensamento e o ajuste de sentido entre interlocutores. Franchi (1988) destaca o trânsito entre os esquemas (regras da língua) interiorizados pelo sujeito e sua exteriorização no ato discursivo, por meio do trabalho epilinguístico de seleção dos recursos expressivos a serem empregados no texto. Geraldi (1991) qualifica a atividade epilinguística como inconsciente e inclui o lapso psicanalítico entre as operações que assinalam a negociação de sentidos entre interlocutores (hesitação, repetição, correção, reformulação, entre outras). Com base neste referencial teórico, que aponta para a ressignificação do conceito de atividade epilinguística, são analisados trechos de interações entre adulto e criança que objetivavam a leitura e o reconto de histórias ilustradas. Os dados foram coletados em contexto escolar e, ao logo das interações, é possível perceber o trabalho de tutela realizado pelo do adulto, no sentido de orientar a reprodução da história lida. Também são visíveis momentos em que a criança supera as expectativas do adulto e, ao mesmo tempo em que procura preservar aspectos da estrutura narrativa em seu texto, amplia as possibilidades interpretativas da leitura realizada, apoiando-se na polissemia do dizer e em suas vivências para selecionar e organizar recursos linguísticos adquiridos durante sua interação com o adulto.