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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A Grammatica da Lingoagem Portuguesa (1536), de Fernão de Oliveira: reflexões linguísticas e culturais
Autor(es): SOLANGE MENDES OLIVEIRA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Grammatica da Lingoagem Portuguesa, Grammatica da Lingoagem Portuguesa, reflexões linguísticas e culturais
Resumo

A Grammatica da Lingoagem Portuguesa, de Fernão de Oliveira – historiador, escritor, humanista, professor de retórica, filólogo e gramático –, publicada em 1536, é a primeira gramática escrita em língua portuguesa, elaborada na época da expansão ultramarina, período em que Portugal procurava afirmar sua autonomia em relação às outras nações. A conjuntura política nessa época era a das descobertas e da colonização dos países pela Europa e o contexto cultural era humanístico. Isso implicava que o homem humanista não somente compreendesse os problemas filosóficos, políticos e sociais, mas também as questões linguísticas, o que se deu, nesse período, pela valorização das línguas vernáculas, antes consideradas bárbaras em relação ao grego, ao latim e ao hebreu. O fortalecimento das cidades e o surgimento da burguesia, o fim do feudalismo e o surgimento do capitalismo, a constituição dos Estados e a tentativa de individualização de cada nação-estado pela língua, são alguns dos motivos que favoreceram o desenvolvimento e fixação do português como “língua de cultura”. O desejo de disciplinar e aprimorar a língua portuguesa, numa tentativa de afeiçoá-la à mãe latina, leva à normativização progressiva da língua, característica que inaugura o período moderno da língua portuguesa. A Grammatica da Lingoagem Portuguesa, constituída de 50 capítulos, centra-se fundamentalmente na análise do que hoje designamos fonética articulatória, descrevendo as “vozes” e dando indicações para sua representação gráfica. Contém também informações precisas sobre palavras primitivas, compostas e derivadas, arcaísmos e neologismos, valor semântico dos prefixos, flexões nominais e verbais e evolução dos vocábulos, parte hoje denominada Morfologia e Lexicologia, na qual o autor distingue usos regionais, sociais, etários e cultos, além de abordar os empréstimos. A sintaxe, entretanto, pouco é discutida. Assim, abordam-se, nesta pesquisa, as reflexões de cunho linguístico e cultural feitas por Fernão de Oliveira em sua obra. Procura-se demonstrar que, apesar de ter o nome gramática incluído em seu título, a obra não configura um estudo normativo no sentido estrito, mas sim, que, ao analisar a língua portuguesa com o intuito de afirmar o caráter da língua nacional e ao descrever o uso linguístico corrente praticado não só pelos portugueses cultos, mas também pertencentes a diferentes classes sociais, o autor foi o pioneiro na descrição linguística do português e que, por esta razão, sua obra figura como um valioso registro sincrônico da língua portuguesa falada na época renascentista.