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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Criações lexicais na obra de Manoel de Barros: a prefixação e a metáfora
Autor(es): Ariadne Mattos Olímpio, Ariadne Mattos Olímpio. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave neologismos, neologismos, metáfora
Resumo

O trabalho, baseado nos postulados da Estilística da palavra (a parte da Estilística que se detém na escolha e na formação de palavras e nos seus efeitos estéticos), pretende mostrar, por meio de criações lexicais encontradas em poemas de Manoel de Barros, não só a polissemia dos prefixos des- e en- quando se juntam a bases verbais, adjetivais e substantivais como também os neologismos semânticos. Segundo Martins (1997), “A Estilística léxica ou da palavra estuda os aspectos expressivos das palavras ligados aos seus componentes semânticos e morfológicos, os quais, entretanto, não podem ser separados dos aspectos sintáticos e contextuais” (p.71). Partindo do material linguístico de poemas de Manoel de Barros, mostrarei de que maneira esse autor aproveita-se das virtualidades do sistema para manifestar sua criatividade, ou seja, quais são os processos envolvidos nessas criações e quais são os efeitos estilísticos e os efeitos de sentido obtidos. O corpus analisado será composto de poemas de 4 livros do autor, a saber: Livro de pré-coisas (1985), O guardador de águas (1989), Concerto a céu aberto para solos de ave (1991) e O livro das ignorãças (1993). Verificar-se-á ainda, na apresentação deste trabalho, se Manoel de Barros inova e amplia os sentidos dos prefixos des- e en- ou se ele apenas amplia as palavras da língua portuguesa brasileira, movimentando-a com suas criações e reformulando os dados de nossa experiência, de nossa visão de mundo. Buscarei também verificar, por meio da obra literária de Manoel de Barros, o estilo desse autor; estilo entendido aqui como na concepção bakhtiniana. Bakhtin, no texto “O autor e o herói na atividade estética” (escrito entre 1920-1930), nos diz que “um grande estilo representa acima de tudo uma visão de mundo e somente depois é meio de elaborar um material” (p.217). O estilo conferiria, assim, unidade à exterioridade do mundo. Para esse autor, o estilo é um dos elementos que, ao lado do conteúdo temático e da construção composicional, compõe um tipo de gênero. O estilo está indissociavelmente ligado ao tipo de texto que, por sua vez, está ligado a uma determinada esfera da atividade humana. Para Bakhtin, o estilo pode ser estudado separadamente, porém não se deve deixar de levar em conta a natureza do gênero em questão. E, em relação a uma palavra, se ela está inserida em um enunciado, ela já faz parte de um estilo e não mais da gramática.