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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Modelamento entoacional no português brasileiro
Autor(es): CRISTIANE CONCEIÇÃO SILVA. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave entoação, entoação, análise por síntese
Resumo

A teoria métrica autossegmental (Pierrehumbert, 1980; Ladd 1996) identifica, através de análise oitiva, duas funções para a entoação: a função de proeminência e a de fronteira. Para isso, assume os pitch accents associados às sílabas proeminentes e os edge tones associados às principais fronteiras prosódicas. Neste estudo, analisamos também a função de proeminência e fronteira da entoação, porém, a partir de uma perspectiva dinâmico-funcional. Utilizamos a técnica de análise por síntese do modelo PENTA (Xu e Wang, 2001; Xu, 2005). Aplicamos aqui a ferramenta automática PENTATRAINER2 (Xu, 2013) para analisar dados do português brasileiro, replicando parcialmente o estudo de Barbosa (2013) que utiliza a mesma ferramenta. O objetivo é encontrar padrões gerais de f0 associados com as funções de marcação de proeminência e de fronteira não apenas em declarativas do português brasileiro (Barbosa 2013), mas também em interrogativas totais e parciais. São analisados dados em três estilos de fala distintos: leitura de frases isoladas, leitura das mesmas frases em contexto, ou seja, inseridas em um texto e, finalmente, a narração da história lida. A segmentação foi feita dentro do domínio da palavra fonológica. Foram analisados dados de quatro sujeitos (dois homens e duas mulheres). Os resultados mostram que a marcação de proeminência nos três tipos de enunciado ocorre principalmente com contornos ascendentes na leitura das frases isoladas, mas que o padrão se inverte na leitura das mesmas frases no texto em que os contornos descendentes são predominantes. Já na narração, as palavras proeminentes são marcadas apenas com contornos ascendentes. Esses resultados são distintos aos encontrados por Barbosa (2013) em que a função de proeminência foi marcada apenas com contornos ascendentes na leitura e contornos ascendentes e descendentes na narração. As fronteiras terminais são marcadas predominantemente com contorno descendente e em posição baixa, tanto em leitura quanto narração enquanto as fronteiras continuativas são marcadas, principalmente, com contorno ascendente nos três estilos. Esse resultado é semelhante ao encontrado por Barbosa (2013). O estudo mostrou que há variabilidade tanto intra-sujeito (dependendo do estilo de fala) como entre os sujeitos. Por isso, na etapa seguinte do estudo, será analisada uma quantidade maior de dados por sujeito e um número maior de sujeitos a fim de verificar se a variabilidade é inerente às funções comunicativas analisadas ou se depende da quantidade de dados estudada.