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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A pintura com palavras: uma análise do processo constitutivo da obra Água Viva, de Clarice Lispector
Autor(es): Sandra Regina Fonseca Moreira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Clarice Lispector, Clarice Lispector, Léxico
Resumo

Este trabalho filia-se aos estudos desenvolvidos pelo grupo de pesquisa Estudos Estilísticos, vinculado ao Programa de Mestrado Acadêmico em Linguística da Universidade Cruzeiro do Sul, dentro da linha de pesquisa Estudos Estilísticos: discurso, gramática e estilo. Alinhando-se às propostas das pesquisas em desenvolvimento, propomos uma análise da constituição narrativa da obra Água Viva, de Clarice Lispector, na busca pelos efeitos de sentido oriundos das escolhas lexicais realizadas pela narradora-personagem. Para tanto, discorremos sobre o processo peculiar de constituição textual adotado por Lispector para a composição da narrativa a fim de estabelecer e apontar as semelhanças que a tessitura textual resultante possui com as pinceladas de um pintor sobre a tela de um quadro. Observamos assim, como apresentado por Arêas (2005), Rosenbaum (2002), Gotlib (2009), Helena (2006), Peixoto (2004) e Varin (2002) as peculiaridades da composição textual de Água Viva: obra que surge como resultado da recomposição de fragmentos diversos, advindos principalmente de outras obras de Lispector, ainda que possamos identificar influências recebidas de fontes autorais diversas, caracterizando, desse modo, um processo intenso de intratextualidade e intertextualidade, o que faz de Água Viva uma grande bricolagem textual. Em seguida, sob a ótica da Estilística da Palavra, destacamos desde as linhas iniciais da narrativa de Água Viva o tom adotado pela narradora-personagem para sua escritura: na zona limítrofe entre a linearidade da escrita e a simultaneidade da pintura. Prenhe de sentidos resultantes desse amálgama e marcada por nuances sombrias, às quais se sobrepõem cores fortes e da qual resulta uma atmosfera soberba, sensual, variada, asfixiante. São esses tons – claros e sombrios, leves e densos, angelicais e diabólicos – compostos não mais por tintas, mas por palavras, que serão observados nas análises que compõem este trabalho. Nosso embasamento teórico para esse item provém dos estudos estilísticos, em particular das considerações de Rodrigues-Lapa (1998), Maingueneau (2001), Tavares (1996) e Micheletti (2008), utilizando-nos particularmente das observações dos autores no que tange os efeitos de sentido advindos da reapropriação e repetição de determinados vocábulos no tecido da obra. Esperamos com tais considerações contribuir para os estudos desenvolvidos na área.