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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Sobre sujeito e subjetividade no processo terapêutico de pessoas afásicas
Autor(es): Ivone Panhoca, Ivone Panhoca. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 24/02/2024
Palavra-chave Afasia, Afasia, Narratividade
Resumo

A narrativa de histórias de vida configura-se como recurso metodológico fecundo, que revela a substância dos dados, possibilitando ao pesquisador lidar com as dimensões subjetivas do vivido e com as redes de significações que constituem as vidas dos sujeitos que narram (Gamburgo, 2006). São analisados, neste estudo, relatos de sujeitos afásicos enfocando-se as formas pelas quais eles se auto-referenciam com relação  à “nova posição no mundo”, configurada pela “perda de si mesmo” que decorre da perda-comprometimento da linguagem. Em um centro de atendimento de afásicos, vinculado ao Sistema Único de Saúde, foram coletadas histórias de vida de 30 sujeitos afásicos fluentes (e, portanto, com condições linguísticas de narrar suas próprias histórias) na faixa de 26 a 74 anos, de ambos os sexos. Em entrevistas individuais de cerca de 40 minutos eles foram convidados a elaborar uma narrativa oral do tipo “história de vida” a partir da seguinte questão-deflagradora apresentada pela terapeuta-pesquisadora: “Me fale sobre  sua vida desde que você nasceu, até hoje : infância, juventude, vida adulta....como foi a sua vida?”. O material foi gravado e posteriormente transcrito ortograficamente. Trata-se de pesquisa qualitativa de orientação sócio-histórica, que direciona a análise para a inter-relação do funcionamento mental humano com os contextos sociais, permitindo a compreensão de uma realidade a partir de interpretações dos relatos dos sujeitos e da manifestação da subjetividade deles. Na análise são enfocados os fatos e as especificidades - as “singularidades” nos termos da Neurolinguística Discursiva - que emergiram das interações entre os sujeitos e o pesquisador, sem ter como objetivo a formulação de leis gerais ou de padrões de funcionamento. Nos relatos coletados  são observadas referências às mudanças na linguagem e na cognição e, portanto, “no estar na vida” após o acometimento. As histórias de vida narradas instauram a possibilidade da singularidade, o que é totalmente compatível com a perspectiva qualitativa aqui adotada, na medida em que os dados que emergem revelam como o sujeito que narra - e apenas ele - posiciona-se no mundo e como ele se relaciona com o outro, com sua própria história e consigo mesmo. Histórias narradas põem em foco aspectos culturais, históricos e subjetivos daqueles sujeitos específicos. Sujeitos únicos. Muito do que tradicionalmente se considera como “patológico”, aqui foi interpretado como “presença de sujeito”. De um sujeito que busca pelo outro no seu intuito de continuar na linguagem e de continuar (na vida) pela linguagem.