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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A relação entre fluência e grau de severidade nas afasias: (contra)evidências de um estudo de caso
Autor(es): Marcus Vinicius Borges Oliveira , Rosana do Carmo Novaes Pinto. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Afasia , Afasia , Fluência
Resumo

Introdução e objetivos do trabalho: A semiologia das afasias visa, por meio da descrição e organização de sintomas ou sinais (observados ou obtidos por meio de testes neuropsicológicos), oferecer parâmetros para identificar as diferentes síndromes afásicas. Um desses sintomas/sinais, de grande relevância teórica e também com repercussões no acompanhamento terapêutico/fonoaudiólogico, é o de fluência, geralmente relacionada com a noção de grau de severidade. Quanto menor a fluência, mais grave a afasia. Este trabalho tem, como objetivo mais geral, apresentar as reflexões que vimos fazendo sobre essas relações, considerando o que a literatura afasiológica caracteriza como jargonafasia e agramatismo (respectivamente os protótipos dos dois tipos de afasias, cf. Jakobson, 1956). Outro objetivo é o de discutir questões relativas ao acompanhamento terapêutico de sujeitos afásicos, partindo de uma concepção não estanque da semiologia das afasias e explorando recursos prosódicos preservados em casos de jargonafasia. Metodologia: Foram analisados, quantitativamente e qualitativamente, enunciados produzidos pelo sujeito AL, de 66 anos, que se tornou afásico em decorrência de lesão bilateral posterior. As análises qualitativas são de natureza microgenética, de enunciados dialógicos produzidos nas sessões coletivas do CCA (Centro de Convivência de Afásicos) e em acompanhamentos individuais. As análises quantitativas das pausas (silenciosas e preenchidas) foram realizadas por Meneses (2014) e contribuíram para a interpretação dos resultados. Análises e Resultados: As análises indicam que AL, com quadro inicial de jargonafasia, está evoluindo para um quadro de fala com estilo telegráfico (com omissão e substituição de palavras funcionais). Seus enunciados, antes constituídos por poucas pausas e por unidades incompreensíveis, apesar da prosódia preservada, passaram a ser produzidos com um aumento significativo de pausas e, portanto, com menor fluência, o que poderia denotar uma piora no quadro. Entretanto, houve um notável aumento na produção de palavras reconhecíveis, além da diminuição na produção de parafasias. Conclusão: Apesar da diminuição da fluência, entendemos que o caso de AL está evoluindo para um quadro de menor severidade. Produzindo enunciados telegráficos, o sujeito é melhor compreendido por seus interlocutores e mantém seus turnos nos processos dialógicos. Atribuímos essa evolução ao trabalho realizado tanto nas sessões coletivas do CCA, que privilegia os vários gêneros discursivos e as regras sociais de organização de turnos nos processos interativos, como nas sessões individuais, que focalizam as dificuldades individuais dos sujeitos. Neste caso específico, destacamos as atividades que exploraram os recursos prosódicos preservados, sobretudo com música.