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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O papel dos frames na construção referencial e no desenvolvimento do tópico discursivo
Autor(es): Edwiges Maria Morato. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave construção referencial, construção referencial, frame
Resumo

Fenômenos baseados em nossas experiências psicossociais, os frames apresentam “flexibilidade discursiva e sociocognitiva” (COULSON, 2001). A gestão e o desenvolvimento do tópico, por seu turno, mostram-se intimamente associados à estruturação da rede de operações referenciais desenvolvidas a partir da ativação e da conexão de diferentes frames, evocados ou elaborados tanto por unidades lexicais, quanto por construções textuais. As interações entre frame e tópico, passíveis de serem observadas por processos referenciais e conversacionais, largamente inferenciais e multissemióticos, são fundamentais para a organização das atividades discursivas e para a modulação da cognição social. Com base nessas premissas, o que pretendemos discutir nesta comunicação deriva do nosso interesse pelo estudo da cognição em interação. Para tanto, tomaremos como domínio empírico episódios conversacionais entre afásicos e não afásicos, extraídos de nosso acervo de dados linguístico-interacionais denominado AphasiAcervus, relativo ao registro e à transcrição de práticas interacionais realizadas no Centro de Convivência de Afásicos (CCA), da Unicamp. O conjunto de frames mobilizados no decorrer das interações conversacionais por nós focalizadas é capaz de revelar a natureza colaborativa e sociocognitiva da construção do sentido no contexto das reuniões do CCA, por meio de processos inferenciais, contextuais e multissemióticos (risos, expressão corporal, gestos, dêiticos discursivos, direcionamento do olhar, etc.). Tais processos, como observam Morato et al. (2012), podem ser entendidos como construtores da referência discursiva, pois dizem respeito, como afirma Marcuschi (2005, p.54), à “construção, indução ou ativação de referentes no processo textual-discursivo que envolve atenção cognitiva conjunta dos interlocutores e processamento local”) e ao desenvolvimento do tópico discursivo (MORATO e BENTES, 2013). A análise empírica dos dados a serem discutidos revela que tanto os interactantes afásicos, quanto os não afásicos participam do desenvolvimento e da gestão do tópico discursivo, envolvendo-se de forma colaborativa e negociada na identificação e produção de frames, bem como em processos referenciais. Com base na análise dos dados acima mencionados, pretendemos destacar em nossa discussão que “práticas linguísticas e interacionais podem ser vistas como um lócus interessante para a observação de uma relação mutuamente constitutiva entre conceptualização e interação” (MORATO e BENTES, 2013, p.126).