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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Entre baderneiros e cidadãos: a cobertura da imprensa nas manifestações de junho de 2013
Autor(es): Carlos Alberto Zanotti. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 25/02/2024
Palavra-chave sociedade em rede, sociedade em rede, cidadania
Resumo

Este trabalho procura avaliar, através de um estudo de caso com potencialidade para generalizações, a guinada que se observou na tonalização das coberturas jornalísticas relativas à evolução dos protestos deflagrados com o Movimento Passe Livre (MPL), do Município de São Paulo, que se alastrou por todo o país. Para tanto, adotamos um método de investigação que associa a análise discursiva a um debate sobre estratégias e fundamentos clássicos do jornalismo. O método é aplicado a editoriais e textos noticiosos publicados no jornal Correio Popular, da cidade de Campinas, entre os dias 13 e 24 de junho de 2013. O resultado aponta para o reconhecimento, mesmo que a contragosto, de haver legitimidade em se restringir a liberdade de circulação de veículos em vias públicas de grande fluxo como forma de chamar a atenção para causas sociais. Observa-se que, nos primeiros editoriais, o jornal garante aos leitores que o movimento não nascera de forma espontânea, sendo fruto da ação de “baderneiros” pertencentes a uma não explicitada “esquerda beligerante”, para os quais a publicação pedia uma “punição exemplar”. Ao final do período, quando o apoio popular às manifestações espalhara-se nacionalmente, a publicação já garantia tratar-se de um “levante democrático, pacífico e edificante para a cidadania”, buscando estabilizar as relações entre imprensa e público. Paralelamente, jornal aponta que os atos de vandalismo depõem contra a legitimidade da causa, buscando isolar as ameaças à ordem instituída. Este processo de estabilização, que na cobertura significou a naturalização de um movimento pela melhoria da qualidade e redução de preços dos serviços públicos, evidencia o duplo papel do jornalismo enquanto instância mediadora: ao expor o conflito, define a esfera de equilíbrio na qual esses conflitos se diluem. No caso estudado – e dada à sua linha editorial – o jornal atribuiu o levante à situação “que domina o Brasil há mais de uma década”, período em que o país encontra-se sob o governo do Partido dos Trabalhadores. Em nenhum momento da cobertura, no entanto, chega a questionar a legitimidade do modelo organização social que produz o quadro de desigualdades que propicia o clima de revolta como o registrado naqueles dias.