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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Estratégias visuais e gestuais de instauração do tempo em narrativas contadas em libras
Autor(es): Renata Lúcia Moreira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 02/03/2024
Palavra-chave libras, libras, tempo
Resumo

As línguas de sinais, como o cinema, por exemplo, contam com mecanismos de enunciação próprios de sua natureza e podem, assim, a seu modo, também criar efeitos ilusórios de distância ou proximidade temporal em seus textos. O objetivo deste trabalho é descrever as estratégias visuais e gestuais que podem estar relacionadas com a instauração e estruturação do tempo em narrativas contadas em língua de sinais brasileira (libras). Esse estudo é feito no âmbito da teoria da enunciação (Benveniste, 1976, e Fiorin, 2002) e da teoria semiótica de linha francesa. A proposta é, então, investigar os recursos discursivos, linguísticos ou não linguísticos, próprios dessa modalidade de língua, que são responsáveis pelos possíveis efeitos de sentido que são criados no interior das histórias analisadas. Uma das hipóteses levantadas nesta investigação é a de que a forma como o sistema temporal enunciativo é instaurado nas narrativas sinalizadas pode gerar uma ilusão enunciativa, como definida em Greimas & Courtés (2012), ou seja, um efeito de presentificação. Essa ilusão enunciativa pode ser resultado de uma possível embreagem temporal. As narrativas analisadas foram contadas por um surdo fluente em libras e sua transcrição vem sendo feita com base no trabalho de McCleary, Viotti & Leite (2010), em um software chamado ELAN (EUDICO Language Annotator). Com a análise feita, procuro (i) descrever os recursos discursivos da libras utilizados para instaurar a categoria de tempo e estabelecer as relações temporais no interior de seus enunciados, e (ii) mostrar como a forma que o narrador utiliza seu corpo, os gestos e o espaço para organizar a história pode criar uma ilusão de agora ou de então, e pode neutralizar as diferenças entre tempo enunciativo e tempo enuncivo, gerando, por exemplo, um efeito de verdade, de que todas as cenas narradas estão no presente, ou um efeito de lembrança, de passado.