logo

Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A Novidade (Paralamas do Sucesso) e Monte Castelo (Legião Urbana): intertextualidade com Camões
Autor(es): Beatriz Teixeira Fiquer. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave Camões, Camões, letras de música
Resumo

O presente trabalho busca, através dos textos: “A Novidade” – de Rebert Viana, canção interpretada pela banda Paralamas do Sucesso, – e “Monte Castelo” – de Renato Russo, interpretada pela banda Legião Urbana -, mostrar o diálogo existente entre as canções mencionadas e textos de Camões, tendo como fundamentação teórica a intertextualidade, a qual se tornou indispensável para a compreensão da leitura, pois significa recobrar um texto por outro(s) das mais variadas formas, estabelecendo associação de algo que se está lendo no momento com outros textos já lidos. Assim, a intertextualidade é, segundo Koch (2002), um fator de coerência importante na medida em que, para o processamento cognitivo de um texto, se recorre ao conhecimento prévio de outros textos e pode ser observado em dois sentidos: o amplo e o restrito. No caso deste trabalho, o que mais se aplica é o segundo sentido de intertextualidade – um texto que se relaciona com outro(s) produzido(s) anteriormente. O sentido restrito é ainda dividido em “tipos” por Koch (2002), sendo eles: de conteúdo X de forma/conteúdo; explícita X implícita; das semelhanças X das diferenças e com intertexto alheio, com intertexto próprio ou com intertexto atribuído a um enunciador genérico. Essa divisão engloba as diversas práticas intertextuais explícitas citadas por Paulino, Walty e Cury(1995): paráfrase, paródia, pastiche, epígrafe, citação, referência, alusão e até a tradução, mas a análise intertextual de textos vai além delas, pois há de se considerar também a questão da história da literatura, conhecimento de mundo do leitor, etc. Dessa forma, uma vez que trabalhar a intertextualidade é estudar a relação ou o diálogo de um texto – aqui algumas composições musicais – com outro(s) previamente existente(s) – lírica camoniana – o trabalho aponta as diversas formas de intertextualidade, entre elas a explícita (com citação de fonte) e a implícita (depende da memória do leitor, do conhecimento que este tem de outros textos para que, ao recordá-los, possa construir o sentido do que lhe é mais recente), buscando evidenciar a maneira como os compositores retomam em seus textos, a partir dos clássicos do vate português, ideias e os poemas de Camões, demonstrando que esse diálogo entre as produções dilata as fronteiras de todas as obras envolvidas neste estudo, comprovando que os textos camonianos do século XVI quando retomados, em qualquer tempo, em qualquer batalha, como as de Monte Castelo, sempre possibilitam ver A novidade que há no eterno Camões.