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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Civilização e progresso na designação do oeste selvagem
Autor(es): Rosimar Regina Rodrigues de Oliveira. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave designação, designação, progresso
Resumo

Nesse estudo apresentamos uma análise do funcionamento enunciativo da expressão marcha para Oeste e da argumentação a favor dessa marcha no texto Como tornar prática a marcha para o Oeste, publicado no jornal O Estado de Mato Grosso, em 01 de dezembro de 1940, na relação com as palavras progresso e civilização. Obervamos como essa expressão e essas palavras significam num certo momento em um determinado texto, e como nesse texto são apresentados argumentos para sustentar esse projeto brasileiro referido pela expressão marcha para Oeste, o que também consideramos como parte do que essa expressão significa. Não se trata então de analisar o conceito de marcha para o Oeste, progresso ou civilização, por exemplo, mas de observar como significam em um texto da imprensa de Mato Grosso, da época referida. Para essa análise desenvolvemos o Domínio Semântico de Determinação (DSD) (GUIMARÃES, 2002, 2004a) das palavras acima referidas, estabelecido a partir da observação das relações de articulação e reescrituração apresentadas no texto. Analisamos também a cena enunciativa (GUIMARÃES, 2009) constituída nesse texto, em que há um locutor-geógrafo (lx) como lugar social de enunciação que ao argumentar instala dois lugares de alocutário: alocutário-governante e alocutário-empreendedor. Além disso, observamos como é estabelecida a argumentação (DUCROT, 1981 e GUIMARÃES, 2002a) do locutor-geógrafo em relação à importância da realização da marcha para o Oeste e da forma de realizá-la. Para tanto é observada a incidência do advérbio “só” e da preposição “além de” que são utilizadas como operadores argumentativos. Nessas relações, ao argumentar, o Locutor se divide de forma a produzir dois enunciadores: um enunciador genérico e um enunciador individual. Mas é preciso esclarecer que, conforme Guimarães (2002), no jogo de representação o locutor se coloca como sendo apenas um (idêntico a si mesmo), quando na verdade ele é dividido (díspar), pois é constituído, nesse caso, enquanto locutor-geógrafo, enunciador genérico e enunciador individual. As análises desenvolvidas nos permitem dizer que a argumentação em torno da necessidade da marcha envolve o sentido da análise da designação de “marcha para Oeste”. Desse modo, o próprio sentido que o texto dá para a “marcha” passa a ser um argumento decisivo para a necessidade de realizá-la.