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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Do letramento ao digital: lições de epistemologia de uma pesquisa de campo
Autor(es): Rodrigo Prates Campos. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 29/02/2024
Palavra-chave Letramento Digital, Letramento Digital, Linguística Aplicada
Resumo

Tendo como ponto de partida uma pesquisa de campo onde atuei como monitor de um curso básico de informática para pessoas com pouca ou nenhuma experiência prévia com computadores promovido pela Prefeitura Municipal de Campinas, este artigo busca levantar questões pertinentes à relação do letramento com a cultura digital e suas respectivas epistemologias. Após um ano em campo empregando uma metodologia etnográfica baseada na observação participante, pude observar de perto as dificuldades enfrentadas pelos alunos do curso no processo de letramento digital. Observei que em sua tentativa de aprender os componentes (ícones, botões, menus, controles, operações, etc) da interface gráfica do Windows os alunos do curso procuram no seu cotidiano elementos que façam a ponte para o contexto da interface e através dos quais possam compreedê-la, e que poucos chegam de fato a aprender a usar a interface. Em termos epistemológicos, a maioria destas dificuldades pode ser resumida em quatro questões: “como o conhecimento prático do dia-a-dia se traduz em termos digitais?”, “como objetos do cotidiano se apresentam e podem ser compreendidos como tal em um contexto digital”, “como as formas de saber do cotidiano apresentam-se no contexto digital?” e “como aprender a relacionar os conhecimentos, objetos, signos e valores do cotidiano às suas formas digitais?”. Tomando por pressuposto teórico-metodológico os Novos Estudos do Letramento (STREET, 1993, 2012; GEE, 1990, 2010), este artigo tem por objetivo investigar o letramento digital de pessoas que nunca viram um computador através da articulação de questões da epistemologia das práticas cotidianas e da epistemologia das práticas digitais (KNOBEL e LANKSHEAR, 2012; LANKSHEAR, 2002; BROADHURST, 2007). Nesta articulação espero encontrar uma forma de aproximar o domínio semiótico do cotidiano dos alunos ao domínio semiótico da interface gráfica e dos sistemas computacionais, com vistas a facilitar, assim, o letramento e a inclusão digital dessas pessoas.