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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Discursos contra Hitler: um gesto de interpretação
Autor(es): Ana Paula Alves Correa. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 03/03/2024
Palavra-chave Discursos natalinos, Discursos natalinos, Thomas Mann
Resumo
Neste estudo propomos a explicitação do gesto de interpretação que sustenta os dois discursos selecionados na obra Ouvintes Alemães! Discursos contra Hitler, proferidos nos natais de 1940 e 1941, definidos como nosso objeto de pesquisa. Partimos da premissa que eles estão marcados pelo espaço simbólico, pela relação com o silêncio, pelas condições de produção e também pelo interdiscurso, produzindo sentidos.Para tanto, o referencial teórico tomado por base é a Análise de Discurso de linha francesa, apresentamos como suporte teórico a noção de interpretação, memória e arquivo. O interdiscurso se materializa nos discursos analisados pela questão da presença do discurso religioso, baseado em crenças e costumes cristãos no discurso antinazista de Thomas Mann. Acreditamos ser relevante destacar as aparições tanto da palavra Luz, quanto da palavra Sol em nosso objeto de pesquisa, no que se refere ao aspecto negativo de sol, temos uma simbologia ligada a uma ideia de grandeza, poder e soberania que, juntamente com outro aspecto que traz o simbolismo do sol como destruidor e devastador, na aridez, nas secas e nos escaldantes desertos teria ligação com as condições de produção dos discursos de Mann, afinal, o homem que estava no poder acreditava que somente com a destruição e através da violência atingiria seu objetivo doentio. No que se refere ao aspecto positivo da simbologia solar, temos uma imagem de ressurreição e de imortalidade: vida, morte e renascimento. Assim, ao contrapor tais aspetos solares, poderíamos dizer que o papel do sol dentro desse discurso seria também atentar os alemães para a questão do próprio renascimento, de uma nova história e principalmente de despertar diante de tudo que estava acontecendo sem que o povo se opusesse. O que vemos também é o escritor Thomas Mann diplomaticamente trazer o discurso religioso para falar da cerimônia natalina, questionando a fidelidade dos alemães, mas, deixando claro que a escolha é do povo, ou seja, o livre arbítrio em sua duplicidade, o que confirma a contradição do conteúdo da ideologia política onde o livre arbítrio traz consigo a noção de coerção. Portanto, ao estudar esses discursos podemos entender que os radiofônicos em questão, sobretudo os dois trabalhados em nossa análise, são mais do que transmissões natalinas para manter o povo alemão informado durante a Segunda Guerra Mundial, são apelos repletos de estratégias discursivas para que o locutor possa tentar convencer o povo alemão a rebelar-se com a guerra nazista.