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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Gênero discursivo como contexto ideológico-social em relação com a investigação narrativa enquanto escrita como evento
Autor(es): Liana Arrais Serodio. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave pesquisa narrativa, pesquisa narrativa, estudos bakhtinianos
Resumo
O presente texto procura resumir o conteúdo antecipado de uma discussão proposta em forma de Simpósio, contendo uma consideração do gênero discursivo como contexto ideológico social e objetivo a priori de uma pesquisa de doutorado em Educação e sua relação com o trabalho mesmo de investigação, que é sempre muito mais amplo e provavelmente muito mais profundo do que seu acabamento estético como relato acadêmico em forma de gênero discursivo: tese ou dissertação. A comunicação tem como objetivo, ainda, informar que esse gênero discursivo, assumido como condição social, sine qua non, é, ao mesmo tempo, ato responsável do pesquisador, na perspectiva do indivíduo responsável bakhtiniana. Portanto, sujeito não indiferente e muitas vezes co-partícipe dos dados produzidos, pois se constituem com e da expressão do outro que, por sua vez, o constitue em sua pessoalidade, profissionalidade e ação científica. Desse estilo narrativo derivado do gênero discursivo deriva pelo mesmo processo, uma escrita ante litteram, escrita “como evento”, “como ato”, na qual brota a possibilidade da revelação de contextos ideológicos e até mesmo inconscientes nascidos da própria expressão como atividade mental para o próprio investigador e seus outros. Além disso, por meio do estilo narrativo assumido por uma escolha assumida como parte da responsabilidade sem álibi, como “testemunha do visto” e do “conhecido mas não visto”, na postura narrativa do pesquisador, que produz sua escrita ao mesmo tempo em que sua escrita produz sua pesquisa, mostrando sua potencialidade como método de pesquisa. Estou dizendo dessa “compreensão da vida como evento e não como um ser-dado” como testemunha, a pesquisadora que deve à escrita narrativa o desenvolvimento de sua tese. Como uma pesquisadora que se deixou levar responsável e responsivamente pelo dizer. Que pensa que todo e qualquer diálogo não se inicia, apenas continua. Para quem a própria pergunta diretiva da tese alterou-se desde um contar do outro, para um contar de si com o outro. A escrita como evento, segundo posso testemunhar por sobre as evidências vividas na escrita da minha própria investigação recente e pelas três recentes pesquisas orientadas por Guilherme do V. T. Prado, é um ato condicionante e anterior à mera transcrição do pensamento em signos verbais.