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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Uma análise de usos modais do verbo dar
Autor(es): Cibele Naidhig de Souza . In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 22/02/2024
Palavra-chave funcionalismo, funcionalismo, verbo dar
Resumo

Neste trabalho, analisam-se ocorrências do verbo dar como modalizador em dados contemporâneos de língua falada do português brasileiro, identificando-se deslizamentos funcionais. Examinam-se ocorrências do banco de dados Iboruna, constituído por amostras de língua falada de informantes provenientes da região Noroeste do estado de São Paulo. O Iboruna contempla dois tipos de amostra: censo (AC), amostras de fala controladas sociolinguisticamente; e interação dialógica (AI), amostras coletadas secretamente em situações de livre interação social. A Gramática Discursivo-Funcional, GDF (HENGEVELD; MACKENZIE, 2008) é o modelo teórico-metodológico utilizado na pesquisa. A GDF contempla quadro níveis gramaticais (Interpessoal, Representacional, Morfossintático e Fonológico) organizados em ordem descendente, de modo que a pragmática governa a semântica, a pragmática e a semântica governam a morfossintaxe, e a pragmática, a semântica e a morfossintaxe governam a fonologia. A proposta de classificação das modalidades na GDF é a de Hengeveld (2004), em que dois parâmetros se cruzam, o alvo (orientada para o falante, orientada para o evento e orientada para a proposição) e o domínio (ou perspectiva) da avaliação modal (facultativa, referente à capacidade intrínseca ou adquirida­; deôntica, referente àquilo que é permissível – legalmente, socialmente, moralmente; volitiva, referente àquilo que é desejável; epistêmica, referente àquilo que se conhece sobre o mundo atual; evidencial, referente à origem da informação contida sobre o mundo atual), resultando nas combinações: orientada para o participante (facultativa, deôntica e volitiva), orientada para o evento (facultativa, deôntica, volitiva e epistêmica) e orientada para a proposição ( volitiva, epistêmica e evidencial). Os mecanismos de modalidade linguística são analisados no Nível Representacional, que, como os demais níveis gramaticais na GDF, é estruturado de um modo particular em camadas organizadas hierarquicamente. A GDF permite, então, identificar, explicar e descrever possíveis expansões dentro do Nível Representacional, e daí em direção ao Nível Interpessoal. A análise revela uma tendência à cristalização, em que o verbo dar, em usos modais, ocorre em expressões fixas e rotineiras, agregadas a condições pragmaticamente singulares como se fossem fórmulas situacionais.Verifica-se, ainda, nos usos novos e cristalizados de dar, uma sequência na expansão dos escopos, de participante, que se localiza na camada das Propriedades Configuracionais do Nível Representacional, para camadas mais altas na hierarquia do modelo adotado, a dos Estado-de-coisas, e a do Conteúdo Proposicional, e daí em direção à dimensão textual e discursiva.