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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Sujeito semiótico do acontecimento extenso
Autor(es): Paula Martins de Souza. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave sujeito semiótico, sujeito semiótico, semiótica tensiva
Resumo

Como é sabido, a semiótica francesa ocupa-se da explicitação dos mecanismos por meio dos quais as significações manifestam-se nos textos em geral. Com esse intuito, interessa verificar e registrar as categorias mínimas implicadas nos textos e, depois, e a partir delas, as dependências recorrentes que costumam estabelecer entre si para gerar efeitos de sentido. Com isso, deve ser possível partir da categoria mínima do nível narrativo "sujeito" e registrar algumas das diferentes dependências que ela costuma estabelecer com a economia geral do percurso gerativo do sentido. Em Semiótica à luz de Guimarães Rosa (2010), Tatit introduz o conceito de acontecimento extenso. Ao contrário dos acontecimentos comuns, o acontecimento extenso caracteriza-se por desdobrar "o impacto do acontecimento em ocorrências sucessivas [...] ampliando a repercussão do fenômeno." (p. 116). Observando a configuração subjetiva do sujeito que sofre o acontecimento extenso na análise feita por Tatit ("A terceira margem do rio", de Guimarães Rosa) e na análise de um conto de Borges, "O Zahir", com base sobretudo no arranjo tensivo e modal desses sujeitos, é possível encontrar recorrências sugestivas. Essas recorrências vêm reforçar uma hipótese de trabalho mais global dedicada ao estudo das configurações subjetivas de sujeitos postos em diferentes situações. Com esse estudo geral, a intenção é evidenciar mecanismos internos ao sujeito que repercutem em sua administração do meio em que se insere, tornando-o mais propenso a determinadas vivências do que a outras. Esta comunicação incide exclusivamente sobre a configuração subjetiva do sujeito do acontecimento extenso que, até o momento, tem se manifestado como um sujeito que euforiza a espera - prefere a longevidade e o repouso do ponto de vista da extensidade, a lentidão e a atonia do ponto de vista da intensidade - e que geralmente possui as modalidades do saber e do dever, mas não costuma ter as competências do querer e do poder; quando estas se manifestam, costumam ocupar a função de meros enunciados descritivos, regidos por enunciados modais do saber ou do dever. Os termos taxonômicos que vêm preenchendo essa configuração subjetiva são a "introversão", do ponto de vista mais patêmico, e "consequência", do ponto de vista lógico. Essa pesquisa encontra-se em andamento, de modo que seu caráter hipotético merece ser destacado. (Apoio: FAPESP - Processo 2012/06292-0).