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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Afasia: subjetividade e processos alternativos de significação
Autor(es): Jaqueline Almeida Silva, Carla Salati Almeida Ghirello Pires. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave Afasia, Afasia, Significação
Resumo

Este trabalho tem como principal objetivo discutir acerca das questões ligadas subjetividade que emerge através dos processos alternativos de significação do sujeito afásico. Este é um estudo de caso pautado na perspectiva do acompanhamento longitudinal do sujeito SS, afásico, 48 anos e que utiliza os processos alternativos de significação para conseguir expressar o dito intencionado. À luz dos pressupostos da Neurolinguística Discursiva – ND, proposta por Coudry (1986), traçamos uma discussão que envolve os sujeitos afásicos enquanto sujeitos da linguagem e aliamos aos estudos filosóficos de Bakhtin (1929/2006) que nos mostra que a subjetividade dos indivíduos é proveniente das situações sócio-histórico-culturais que o cercam. Analisar o sujeito a partir da filosofia da linguagem bakhtiniana foi de suma importância, pois essa teoria abarca a heterogeneidade do sujeito, a alteridade, interação, como algo que constitui a subjetividade humana. E todo esse processo é mediado pela linguagem. Para a coleta e análise dos dados utilizamos a teoria do paradigma indiciário proposta por Carlo Ginzgurg (1989) e a perspectiva de dado-achado, formulada por Coudry (1986). De fato o processo interativo aparece como peça fundamental para a construção do processo enunciativo discursivo, que por sua vez fará uso dos elementos verbais e não verbais para externar o dito intencionado. A principal motivação para o desenvolvimento de um estudo voltado para essa temática foi à relação estabelecida entre outro e o sujeito afásico que muitas vezes é de exclusão. Pois supõe-se que esse indivíduo perdeu/esqueceu tudo o que sabe, estabelecendo uma relação assimétrica em que um sabe tudo e o outro não sabe nada. Os indivíduos “ditos normais” desconsideram o sujeito com afasia, veem nos processos alternativos de significação como algo que inferioriza o indivíduo. No contexto em que a linguagem verbal se apresenta de modo incompleto, em relação ao que se intenciona dizer, o corpo, gesto, associações, expressões faciais, etc. contribuem para que haja significado no que é dito. Aliada a essas questões os estudos filosóficos de Bakhtin (1929, 1979) nos mostra que a subjetividade dos indivíduos é proveniente das situações sócio-histórico-culturais que o cercam. Compreender as questões que envolvem a expressão da subjetividade através dos percursos enunciativos é necessário para que o olhar lançado sobre o indivíduo com afasia não seja de incompreensão, mas que esse sujeito seja visto como alguém que pode interagir a partir de situações discursivas.