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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: O “Papai Noel” dos pobres: religiosidade e populismo na retórica argumentativa de Vargas às vésperas do Natal
Autor(es): MARCOS ROBERTO CÂNDIDO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave retórica, retórica, pathos
Resumo

A construção da vida política de Getúlio Vargas durante a história da República do Brasil nos instiga a depreender as marcas da retórica e da argumentação imbricadas em seu discurso, persuadindo para a idealização da figura do “Pai dos Pobres” junto às massas populares. O ethos de Getúlio se alicerça na imagem do salvador, do homem experiente e conselheiro, mas ao mesmo tempo, indignado e triste pelas difamações políticas. Recorrendo ao ufanismo negativista, conclama para que seu povo caminhe e sofra junto a ele, buscando, assim, a superação dos males pela redenção proposta por seu líder. O discurso populista de Vargas desperta sentimentos construídos por ele próprio quase canonizando a própria imagem e aflorando emoções díspares. O objetivo deste trabalho é identificar as estratégias argumentativas presente nos discursos pronunciados pelo presidente Vargas às vésperas do Natal nos anos de 1952 e 1953 direcionados ao povo brasileiro. A oratória carismático-messiânica de Vargas emprega estratégias argumentativas para convencer a população sobre a necessidade de apoio ao seu projeto político. Dentre as estratégias utilizadas, verificamos, no corpus em análise, o apelo aos sentimentos que Aristóteles afirma aduzir mudanças nas pessoas, fazendo variar seus julgamentos, ou seja, as paixões. As paixões envolvidas nos citados discursos assentam na confiança, favor, compaixão e impudência. Ao penetrar pelo texto, se nos depara a religiosidade exaurida nos discursos, frutos do ensejo natalino. A retórica utilizada nos referidos discursos salienta o relacionamento entre oradores e auditório, o companheirismo e a parceria de Vargas com seu “povo”, marcas de líderes que fundam sua tese de “salvação”, quase religiosamente, em uma hierarquia de valores. Sendo assim, o arcabouço teórico associará às concepções de Retórica e Argumentação construídas por Perelman & Olbrechts-Tyteca (1996), Reboul (2004), Aristóteles (2000) e Koch (2006). Embora os discursos em análise foram construídos em forma de   “mensagem” ao povo brasileiro, elementos retóricos como salvação, cuidado, esperança, amizade, ternura e até mesmo religiosidade são explorados visando convencer o auditório, fomentando o emocional e a fé, dificultando a negação dos discursos. Nesse sentido, verificar-se-á também como as estratégias argumentativas corroboram a incitação do pathos no auditório, fazendo de Vargas um orador de apelo populista.