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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: A prática de leitura em nova dinâmica: relato de um estudo com ingressantes no ensino superior tecnológico
Autor(es): ADRIANE BELLUCI BELORIO DE CASTRO. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 23/02/2024
Palavra-chave Leitura, Leitura, Tecnologias de Informação e Comunicação
Resumo

Pela nossa experiência como docente de língua materna, temos acompanhado algumas dificuldades que significativo número de alunos, advindos do ensino médio, vivencia ao ingressar no ensino superior. O que observamos é uma realidade constatada em instituições privadas e públicas de diferentes cidades do Estado de São Paulo, conforme relatam Silva e Fridman (2007) e como confirmam os dados do último Ideb, de 2011, classificando a rede de São Paulo abaixo do Brasil na média das áreas avaliadas (Estadão, 2013). Associado a isso, vivenciamos uma revolução tecnológica sem precedentes, ou seja, as tecnologias de informação e comunicação vêm provocando uma alteração no processo de aprendizagem, especialmente pela nova dinâmica na prática da leitura estimulada por tais suportes. Segundo Chartier (2002), “o efeito que o texto é capaz de produzir em seus receptores não é independente das formas materiais que o texto suporta”. Isso significa que a materialidade do suporte oferecido pelo texto irá influenciar na construção de sentido desse texto, ou seja, o suporte está intimamente associado à legibilidade do texto. Paralelamente, para Muniz Sodré (apud VERAS, 2011), a interatividade e “digitalismo” vividos atualmente não são propriedades da máquina como alguns professores pensam. De fato, este é um momento polifônico, de vozes que precisam se juntar. A geração digital é uma geração de resultados e não de processos silenciosos e contundentes, de ação, do “já” e do “agora”, por isso talvez não tenha estimulado a atenção exigida para a prática de leitura que os textos acadêmicos exigem. Nesse contexto, o aluno ingressante no ensino superior, principalmente o designado como nativo digital, enfrenta problemas de adaptação, pois traz consigo um comportamento novo, típico da prática digital – rápida, efêmera, que tende a distanciá-lo da concentração em um ponto – e se depara com um ambiente em que atenção, pesquisa e processamento cognitivo analítico são o foco. Diante disso, lançamos a seguinte questão: como praticar a leitura com ingressantes de cursos superiores tecnológicos, levando-se em conta a dinâmica instaurada dos processos de comunicação, principalmente, pelos novos meios tecnológicos, dos quais não podemos fugir? Nesse sentido, o presente trabalho, embasado em teóricos como Chartier e Santaella, pretende discutir o tema da leitura, utilizando dados obtidos em pesquisa realizada com alunos ingressantes no ensino superior tecnológico, matriculados em disciplina básica de Comunicação e Expressão e Português de cinco diferentes cursos oferecidos por uma faculdade de tecnologia do Estado de São Paulo.