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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Sobre mulheres e cidade: um gesto de leitura
Autor(es): Valquiria Botega de Lima. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 26/02/2024
Palavra-chave audiovisual, audiovisual, cidade
Resumo

O nosso objetivo neste trabalho é apresentar uma análise inicial a respeito dos modos de formulação do processo discursivo do laço entre mulher e cidade no conjunto de três séries televisivas (Aline, Antônia e Alice). Estamos ancorados teórica e analiticamente na Análise de Discurso (AD) de vertente francesa, e, em nossa pesquisa de doutorado, o que propomos, dentre outras metas, é uma leitura discursiva do audiovisual; leitura que nos coloca, enquanto analistas, atentos e sensíveis às especificidades e à estrutura da narrativa seriada, uma vez que esta se trata de uma textualidade composta por diferentes materialidades significantes (cf. Lagazzi, 2011). Trata-se, também, de um produto midiático que põe em circulação sentidos direcionados sobre a presença da mulher contemporânea em dois espaços da cidade de São Paulo (o centro e a periferia), gerando efeitos de evidência que silenciam a presença do político nos modos de significar tais espaços, bem como as rupturas no simbólico. Nosso corpus é formado por recortes articulados ao processo discursivo do laço e o trabalho do gesto analítico aqui proposto é o de localizar marcas de funcionamento que remetam à relação da (s) mulher (es) com a cidade. A primeira entrada é pela enunciação das protagonistas, cujos dizeres têm apontado para uma marca de pertencimento aos espaços da cidade de São Paulo. Em termos gerais, é como se elas dissessem “essa cidade me pertence, eu pertenço a ela”. Em face disso, os sentidos vão ganhando corpo tanto em formulações da materialidade verbal, quanto da materialidade visual. Em se tratando desta última, pensando em termos de figurino – o qual é constituído por várias combinações de cores e estilos de vestimentas –, são desenhadas versões de mulheres citadinas que produzem sentidos conflitantes, porque o simbólico entra em choque com o (s) imaginário (s). Essas marcas de funcionamento podem ser produtivas na medida em que nos possibilitam pensar que não há apenas entre essas mulheres e a cidade de São Paulo uma ligação meramente formal e objetiva, mas uma ligação que passa pela subjetivação, e que manifesta diferentes maneiras de o sujeito se relacionar com os espaços e elementos citadinos.