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Programação do 62º seminário do GEL


62º SEMINáRIO DO GEL - 2014
Título: Epistemologia da semiótica e prática do semioticista: brevíssima reflexão sobre um breve meio século
Autor(es): Ivã Carlos Lopes. In: SEMINÁRIO DO GEL, 62 , 2014, Programação... São Paulo (SP): GEL, 2014. Acesso em: 05/03/2024
Palavra-chave epistemologia, epistemologia, semiótica
Resumo

À época de seu surgimento – década de 1960 – a semiótica europeia, ainda muito próxima de alguns vizinhos como a semiologia de R. Barthes ou a semanálise de J. Kristeva, comportava a dupla ambição de, primeiramente, construir uma teoria do sentido capaz, em virtude de sua generalidade, de lançar pontes entre disciplinas que até então se ignoravam mais ou menos umas às outras ou se entreolhavam com suspeição (narratologia, linguística, antropologia, fenomenologia...) e, ao mesmo tempo, intervir decisivamente na compreensão e interpretação das múltiplas linguagens mobilizadas em sincretismo pelos meios maciços de comunicação, que se expandiam com rapidez no mundo industrializado. Se lembramos esses fatores de época, é para fazer referência ao hibridismo da semiótica em suas fontes inspiradoras, por um lado, e, por outro, ao gesto de busca, nos objetos estudados, de um número finito de grandes constantes elementares que se supunham subjacentes à pluralidade de suas manifestantes e de seus suportes. Transcorrido cerca de meio século, e não obstante a massa de conhecimentos adquiridos – hoje já não se estranha tanto, por exemplo, a colaboração daqueles diversos estratos de geração da significação no interior de um mesmo conjunto –, os semioticistas veem-se às voltas com novas perplexidades, em pleno contexto de crise das ciências humanas. De tais perplexidades, gostaríamos de discutir nesta ocasião apenas três em especial: (i) instada a fazer suas escolhas, para onde se inclinará a semiótica frente ao debate das abordagens "culturalizantes" vs. "naturalizantes" da produção do sentido? (ii) numa época, como a atual, que tem pouco apreço por modelos de ampla envergadura nas humanidades, qual a atitude a adotar perante modelos abrangentes como o do "percurso gerativo" (Greimas), dos quais a própria tribo dos especialistas parece estar tomando cada vez mais distância? (iii) por fim – supondo pertinente a preocupação –, a que demandas sociais ou interrogações contemporâneas responde, pelos dias que correm, a atuação dos semioticistas?